LUIZ GONZAGA E A INVENÇÃO DO NORDESTINO: O DESENHO DE COURO NA FIGURA DO VAQUEIRO

Suria Seixas Neiva

Resumo


O presente artigo se propõe a articular as relações entre os Desenhos de Couro, sua relevância histórica e sua importância na constituição do discurso regionalista sobre o nordestino, através do redesenho de seus usos feito por Luiz Gonzaga do Nascimento, o “Lua”, Rei do Baião. A releitura ou redesenho da imagem do nordestino a partir da aparência de Luiz Gonzaga nasce das circunstâncias de perpetuação dos desenhos de couro, familiares, na virada do século XX - quando Luiz Gonzaga convivia com mestres de couro e vaqueiros. O artista pôde utilizar o repertório nacionalmente conhecido do Cangaço e seus símbolos (notadamente desenhos de couro) para a posteriori redesenhá-los e comutar a aparência cangaceira com a aparência vaqueira, num misto virtualmente impossível, mas que passou a ser a própria imagem do nordestino. Sem tal interferência por parte de Luiz Gonzaga, é possível a especulação de que os mestres do couro não atuassem, hoje, no fabrico e no ensino de seus desenhos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/asppdci.v1i13.4673

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