Chamadas

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CHAMADAS PARA O VOLUME 24 (2023), números 1, 2 e 3

Número 1: Estudos Literários (Prazo para submissão dos originais até 30/03/2023)

Número 2: Estudos Linguísticos e Filológicos (Prazo para submissão dos originais até 30/08/2023)

Número 3: Ensino-aprendizagem de Línguas e Literaturas (Prazo para submissão dos originais até 30/10/2023)

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CHAMADA PARA DOSSIÊ TEMÁTICO:

Ressignificações do passado da América: vias para a descolonização e o pensamento decolonial na literatura e na tradução literária

 

Organização: 

Patricio Nunes Barreiro (UEFS/CNPq);

Gilmei Francisco Fleck (Unioeste/Cascavel-PR) 

Cristian Javier Lopez (UEMA/UVigo-Espanha/ Unioeste-Cascavel-PR)

 

Período de submissão:

01 de janeiro a 30 de março de 2023

 

Publicação: Julho de 2022

 

Ementa: 

As disputas, as resistências e as violências geradas pela imposição do colonialismo na América originaram conflitos que continuam vigentes na contemporaneidade. No âmbito epistemológico, a colonialidade impôs relações de poder que subalternizaram ou silenciaram as subjetividades que se distanciam dos centros hegemônicos. A história do passado colonial e suas implicações no presente, desse modo, foi redigida com base nas estruturas ideológicas que o discurso historiográfico eurocêntrico edificou. A voz dos vencidos e dos que ainda resistem foi opacada pelo discurso dos vencedores e dos grupos dominantes, o que teve como resultado uma história carregada de conflitos mal resolvidos no passado, cujas consequências chegam aos nossos dias. Na oficialização desse discurso histórico no nosso continente, a literatura teve um papel fundamental, pois foi, também, através do seu discurso artístico que os laços coloniais se afiançaram no imaginário social e cultural. Assim, tanto na época colonial quanto após a descolonização territorial e política das distintas regiões do continente, a colonialidade do saber se manifestou nessas duas epistemes: história e literatura. Com algumas exceções, é a partir do século XX que são articulados projetos decoloniais, os quais buscam atingir a matriz colonial do poder (QUIJANO, 1998; MINGNOLO 2000), que exerce o seu domínio no campo do saber. Entre esses, o romance, em especial o histórico, é, no âmbito da literatura uma das principais vias para a descolonização das mentes, da identidade e do imaginário. O hibridismo desse gênero literário tem sido uma ferramenta fundamental para a articulação de projetos estéticos que buscam ressignificar a história do passado americano a partir da ficção; ao tempo que visam a ressignificar, também, o próprio discurso literário. Isto é, uma dupla ação decolonial epistêmica: na história e na literatura. Do mesmo modo atua a tradução literária na América Latina como via privilegiada de pôr em trânsito os movimentos de descolonização e de decolonialidade.

Nesse sentido, com base nos estudos sobre o gênero romance histórico (AÍNSA, 1991; MENTON, 1993; JITRIK, 1995; ESTEVES, 2010; TACCONI, 1998; FLECK, 2017), nos estudos sobre o pensamento decolonial na América Latina (QUIJANO, 1998; LANDER, 2000; DUSELL, 1994; MIGNOLO, 2000; 2007; WALSH, 2006), e alguns dos pressupostos da tradução (AUBERT (2021); SALES SALVADOR (2021), MARTINS (2011); VENUTI (2002); LEFEVERE (1994); EVEN-ZOHAR (1990)) propomos este dossiê. Nele se busca refletir sobre as relações de poder instauradas no campo do saber no nosso continente. Pretende-se abrir espaços de discussão a respeito dos projetos estéticos que buscam descolonizar os discursos redigidos e propagados sobre o passado da América, suas culturas múltiplas; e se aponta para a literatura híbrida de história e ficção, assim como para o seu processo de tradução, como uma via precisa para a ressignificação histórica e literária, uma ação de reterritorialização discursiva que estabeleça relações interculturais na produção de conhecimento no nosso continente.

Além dos tópicos propostos nos eixos temáticos serão, igualmente, muito bem-vindos estudos que proponham novos conceitos ou categorias e/ou que procurem debater questões epistemológicas, conceituais ou, também, políticas, assim como abordagens teórico-metodológicas relacionadas a esses usos da literatura híbrida de história e ficção, suas ressignificações e seu processo tradutológico.

Assim, este dossiê se efetiva com base em escritas voltadas aos seguintes Eixos temáticos:

- Teoria e Crítica Literária. Projetos estéticos decoloniais e in(trans)terculturais.

- Tradução Literária na América Latina e mediação cultural. Vias para a leitura do outro no continente.

- Gênero romance histórico. Literaturas Hispano-americana, Caribenha, Brasileira, Canadense e Estadunidense.

- Literaturas de testemunho. Formas e veredas da reivindicação do passado das camadas sociais subalternizadas na América.

- Estudos decoloniais. A descolonização epistemológica no continente e seu desdobramento a partir da literatura. Projetos estéticos decoloniais.

 

Referências:

AÍNSA, F. La nueva novela histórica latinoamericana. Plural. 240. p. 82-85. México, 1991.

AUBERT, F. H. Desafios da tradução cultural (as aventuras tradutórias do Askeladden). TradTerm, v. 2, 1995, p. 31-44. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/49913.

AUBERT, F. H. Modalidades de tradução: teoria e resultados. TradTerm, v. 5, n. 1, 1998, p. 99-128. Disponível em:  https://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/49775/53879. Acesso em: 25 abr. 2021.

DUSSEL, Enrique. 1492: O encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade: conferências de Frankfurt. Tradução de Jaime Clasen. Petrópolis: Vozes, 1993.

ESTEVES, A. R. O romance histórico brasileiro contemporâneo (1975-2000). São Paulo: Unesp, 2010.

EVEN-ZOHAR, I. Polysystem studies. Poetics Today, v. 11, n. 1, 1990. Disponível em: https://www.tau.ac.il/~itamarez/works/books/Even-Zohar_1990--Polysystem%20studies.pdf.

FLECK, G. F. O Romance Histórico Contemporâneo de Mediação: entre a tradição e o desconstrucionismo – releituras críticas da história pela ficção. Curitiba: CRV, 2017.

JITRIK, N. Historia e Imaginación Literaria, las posibilidades de un género. Buenos Aires: Editorial Biblos, 1995.

LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.

LEFEVERE, A. Translating literature. Practice and theory in a Comparative Literature context. Second printing. New York: The Modern Language Association of America, 1994.

LUKÁCS, G. O romance histórico. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2011.

MARTINS, M. A. P. O papel da tradução como força modeladora dos sistemas literários. In: WEINHARDT, M.; CARDOSO, M. M. (Orgs.). Centro, centros: literatura e literatura comparada em discussão. Curitiba: Ed. UFPR, 2011.

MENTON, S. La Nueva Novela Histórica de la América Latina, 1979-1992. México: Fondo de Cultura Económica, 1993.

MIGNOLO, W. Historia globales / Proyectos globales. Colonialidad, conocimientos subalternos y pensamiento fronterizo. Madrid: Akal, 2000.

MIGNOLO, W. La idea de América Latina. La herida colonial y la opción decolonial. Trad. Silvia Jawerbaum e Julieta Barba. Barcelona: Gedisa, 2007.

QUIJANO, A. Modernidad, identidad y utopía en América Latina. Lima: Sociedad y Política Ediciones, 1998.

RODRIGUES, S. V. Os limiares da crítica da tradução na pós-modernidade. In: CARVALHAL, T. F. (Org.). Culturas, contextos e discursos: limiares críticos do comparatismo. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1999.

SALES SALVADOR, D. Traducción, género y poscolonialismo: compromiso traductológico como mediación y affidamento femenino. Quaderns. Revista de traducción. n. 13, 2006. p. 21-30. Disponível em: https://www.raco.cat/index.php/QuadernsTraduccio/article/view/51658. Acesso em: 12 fev. 2021.

TACCONI, M. D. C. (Coord.). Ficción y Discurso. Tucumán: Instituto de Investigaciones Lingüísticas y Literarias Hispanoamericanas, 1998.

VENUTI, L. Escândalos da tradução. Por uma ética da diferença. Tradutores: Laureano Pelegrin, Lucinéia Marcelino Villela, Marileide Dias Esqueda, Valério Biondo. Revisão técnica de Stella Tagnin. Bauru: EDUSC, 2002.

WALSH, C.; MIGNOLO, W.; LINERA, G. Interculturalidad, descolonización del Estado y del conocimiento. Buenos Aires: Del Signo, 2006.

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