Nem Florida, nem Boedo: assegura o 'escritor fracassado' de Roberto Arlt

Autores

  • Adriana de Borges Gomes Universidade do Estado da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v18i1.1657

Resumo

Florida e Boedo são nomes de ruas da cidade de Buenos Aires, com características distintas bem expressivas: Florida era a rua do “ócio distraído”, da boemia da arte gratuita, sem motivações que não fossem estéticas. Boedo era a rua do “tráfego fabril”, situada num bairro onde muitas fábricas estavam instaladas, o que fomentava a agitação das consciências para o levante de uma bandeira subversiva. Das designações topográficas do bairrismo portenho nasceu uma contenda cultural de classes, em que a literatura foi o veio central. A polêmica literária deve ser vista no seu interior, recorrendo-se ao momento histórico em que ocorreu, pois somente com a distância temporal o historiador da literatura pode avaliar o que representou na época e o que significa na contemporaneidade tal controvérsia para a história da literatura argentina. E, ainda assim, manter certa desconfiança, pois o historiador é um pesquisador que muitas vezes recorta acontecimentos e os dota de significado de acordo com suas ideologias; como chama a atenção o historiador da literatura latino-americana Antonio Cornejo Polar (2000). Na conformação dos dois grupos e na localização dos escritores em cada um deles, houve muitas discrepâncias. Castelnuovo, nos diz Adolfo Prieto (2009), declarou que o grupo Boedo não existiu, o que existia era uma literatura de arrabalde. Assim, Prieto mapeia em seu ensaio “Boedo e Florida” algumas esclarecimentos e tentativas de encaixar os escritores em um grupo ou outro. Em uma dessas demonstrações está claro que Roberto Arlt não se localizava em nenhum dos dois grupos.

Biografia do Autor

Adriana de Borges Gomes, Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Mestre em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Bacharel em Letras com Língua Estrangeira Espanhol pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente é PROFESSORA ADJUNTA da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), onde leciona disciplinas de literaturas em língua espanhola e dedica-se à pesquisa em Estudos Literários e Culturais, Teóricos e Críticos da produção ficcional, poética, teatral, contística e romanesca em literaturas de Língua Espanhola. É a atual coordenadora do Colegiado do Curso de Letras/Língua Espanhola e Literaturas do Departamento de Ciências Humanas da UNEB, Campus I. Presidiu o I Seminário do Curso de título ACTUALIDADES DE LE LENGUA DEL QUIJOTE em 2015. Autora organizadora da primeira publicação em livro coletivo dos docentes do Curso de Letras/Língua Espanhola e Literatura DCH-I UNEB, de título "LÍNGUA ESPANHOLA: enfoques didáticos, linguísticos e literários" (2015). Participante dos Grupos de Pesquisa do CNPQ "Estudos Interdisciplinares em Humanidades Digitais, Filologia e Acervos de Escritores" (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/6061995019276610), e "LITERATURA E ENSINO: TECENDO IDENTIDADES, IMPRIMINDO LEITURA" (dgp.cnpq.br/dgp/espelhorh/5937164469313528). Desenvolve atualmente pesquisa científica com o projeto "A RECEPÇÃO CORTAZARIANA NA LITERATURA HISPANO-AMERICANA; o redimensionamento do espaço crítico-ficcional no romance de Julio Cortázar".

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Publicado

2017-06-03

Como Citar

Gomes, A. de B. (2017). Nem Florida, nem Boedo: assegura o ’escritor fracassado’ de Roberto Arlt. A Cor Das Letras, 18(1), 142–152. https://doi.org/10.13102/cl.v18i1.1657