Edward Said/Erich Auerbach: humanismo mundano e fenomenologia do exílio

Marcos Cezar Botelho

Resumo


Para Edward Said, o exílio e a migração são operadores de leitura caros ao pensamento crítico dissonante. Na perspectiva daquilo que chamo de uma fenomenologia saidiana do exílio, o lócus enunciativo do exilado é, para o pensador palestino, um estilo ético que implica numa posicionalidade diferencial indispensável para a compreensão crítica do mundo atual. Como veremos neste artigo, mesmo que os personagens conceituais do humanismo mundano de Said sejam, por excelência, filósofos, escritores e pensadores que experimentaram a condição de exilados, “perspectivismo do exílio” é lido, contudo, como o valor heurístico de uma posicionalidade crítica sempre fora do lugar e disponível até mesmo para aqueles que não experimentaram diretamente a migração e o desterro. Em outras palavras, este artigo procura comentar a releitura que o pensador palestino realiza, em Humanismo e crítica democrática, de Mimesis, de Erich Auerbach, propondo que o ponto de diálogo entre esses autores esteja na potência que migração e exílio desempenharam em suas trajetórias críticas. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v18i1.1680

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