A parrhesia como ética/estética da existência em Caim de José Saramago

Marcos Fellipe Costa Marques, Alana de Oliveira Freitas El Fahl

Resumo


No último romance do escritor português José Saramago (1922-2010), Caim (2009), o discurso religioso é retomado como tema através de uma releitura paródica de textos bíblicos fundantes da tradição judaico-cristã. No romance, narrador e herói passeiam por cenas bíblicas questionando interpretações sedimentadas na cultura pelas teologias oficiais e dogmas da tradição. As críticas construídas no romance têm como alvo privilegiado os discursos religiosos, sobretudo a moral criada a partir de tais discursos. Este artigo tem como objetivo demonstrar como, no romance Caim a parrhesia, o franco falar, funciona como possibilidade ética diante de construções discursivas monológicas dogmáticas e retóricas. Para isso, discutiremos a relação entre o discurso literário de Saramago e o discurso religioso dogmático, destacaremos a função da paródia para apresentar novas versões de discursos já sedimentados na cultura para enfim discutir o conceito de parrhesia em Michel Foucalt (1926-1984) e possibilidades interpretativas do romance supracitado a partir desse conceito.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v18i1.1689

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