Julio Cortázar: de pontes e duplos. Uma alegoria da tradução

Cristina Santoro

Resumo


Em quase toda a obra de Julio Cortázar percebe-se uma particularidade: o duplo. Paris x Buenos Aires, o rio de La Plata x o rio Sena, as pontes, um lado e outro das margens dos rios e do oceano que separam lugares de vivência do autor e que se tornam as chamadas “dos orillas”. O duplo, em Cortázar, adota diversas manifestações – espelhos, reflexos, imagens, visões – e o tema do desdobramento deriva de vivências do autor. O duplo, figura central de nossas reflexões, temática presente nos estudos literários e nas abordagens psicanalíticas rankianas, freudianas e lacanianas, pode ser aplicado ao ato tradutório, na medida em que muitos esperam do texto traduzido a construção de uma imagem apenas especular, esquecendo “o duplo” que todo ser (texto) carrega na sua essência mais profunda: um duplo que precede. Outros, no entanto entendem a tradução como ponte entre línguas e linguagens: de um ser para um outro, de uma margem para a outra, de um texto de partida (o ‘original’) para o seu texto duplo, o texto traduzido. A analogia ‛ser-texto’ nos abrirá as portas para esse jogo da amarelinha onde a primeira pedra será jogada a partir do texto de partida, para vivenciar a “angústia” na passagem, mímese, identificação e repulsa diante do outro – o duplo – na tentativa de atingir o Céu: o texto de chegada.


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Referências


Cortázar, J. Carta a Roberto Fernández Retamar. 10 de mayo 1967. Publicada: El Periodista, año 1, n• 31, abril 1985. IN: 16 cuentos latino-americanos, 1992.

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Freud, S. (O Estranho (“Das Unheimliche”. In: Obras Psicológicas Completas. -1969- (Volume XVII -1917-1919-)




DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v20i3.3571

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