O “São Frei Gil”, de Eça de Queirós

Eduardo Soczek Mendes, Antonio Augusto Nery

Resumo


Eça de Queirós (1845-1900) é muito mais conhecido pelos seus romances realistas, entretanto, o autor se dedicou a elaboração de muitos outros gêneros, como o conto e a crônica, e até mesmo reelaborou histórias de santos. Visto que são três as revisitações hagiográficas de Eça, neste estudo, averiguaremos uma delas, a que está inacabada “São Frei Gil”. Essas narrativas, escritas durante a última década de vida, vieram a público postumamente, em 1912, em Últimas páginas. Em “São Frei Gil”, Eça retoma a lenda egidiana, preexistente em Portugal, ambientando na Idade Média a história do santo que pactuou com o Diabo. Nossa proposta é a de analisar a forma como a narrativa é construída e, se é possível, com efeito, afirmar que o escritor, ao fim de sua vida, havia se acomodado e se resignado com o velho Portugal e com os poderes instituídos, deixando de lado a escrita irônica para dar vazão a uma produção de enaltecimento pátrio. Para tanto, verificaremos de que maneira se realizou o diálogo com a tradição pregressa da lenda e como o narrador discorre acerca de Gil, da ambientação e de outras personagens. Dialogaremos, sobretudo, com as propostas de Antonio Candido (1964), Ian Watt (1997) e Sofia Sousa e Silva (2002).


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v20i3.4733

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