Variação do modo subjuntivo: um estudo sobre o português quilombola do interior da Bahia

Marcelo da Silva Souza, Josane Moreira de Oliveira

Resumo


Este artigo apresenta alguns resultados de um estudo descritivo e analítico da variação modal entre o indicativo e o subjuntivo em duas comunidades quilombolas situadas à margem direita (Rio das Rãs) e à margem esquerda (Montevidinha) do Rio São Francisco. À luz dos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972]), analisa-se a alternância entre dois tipos de variação: uma que acontece entre o tempo presente do indicativo e o presente do subjuntivo (Você quer que eu conto uma história/Você quer que eu conte uma história); e outra, entre o pretérito imperfeito do indicativo e o pretérito imperfeito do subjuntivo (Ela imaginou que eu era um homem estrangeiro/Ela imaginou que eu fosse um homem estrangeiro). O objetivo geral é descrever e analisar quali-quantitativamente a variação modal indicativo-subjuntivo no português rural das referidas comunidades quilombolas, na tentativa de responder quais os fatores linguísticos e extralinguísticos são condicionadores da variação e em que medida o contato linguístico e os aspectos sócio-históricos podem contribuir para a compreensão e a descrição desse fenômeno. A pesquisa, de um modo geral, aponta que os condicionadores da variação indicativo-subjuntivo são tanto de natureza estrutural quanto social, conforme selecionados como relevantes pelo GoldVarb X, um programa computacional de regras variáveis. Além disso, a partir da análise contrastiva entre algumas pesquisas realizadas nos meios rural e urbano, a análise confirma a existência de uma realidade sociolinguística polarizada e a existência de subvariedades rurais delineadas a partir de especificidades sócio-históricas distintas no português brasileiro.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v21i1.4978

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