Variedades linguísticas da imigração germânica no Brasil: vitalidade, glotopolítica e território

Mônica Maria Guimarães Savedra, Leticia Mazzelli

Resumo


Este artigo discute os processos de vitalidade, pertencimento e territorialidade identificados no uso de variedades linguísticas germânicas do Hunsrükisch, em Petrópolis, Rio de Janeiro e do Pomerano, em Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo, ambas trazidas para o Brasil no contexto de imigração do século XIX. Utilizamos a abordagem glotopolítica (GUESPIN; MARCELLESI, 1986; LAGARES, 2018) e os conceitos de línguas Abstand e Ausbau (KLOSS, 1967) para tratar do desenvolvimento, linguístico e cultural dessas variedades. Apresentamos os resultados de pesquisas conduzidas pelo LABPEC (Laboratório de Pesquisa em Contato Linguístico) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o grupo B/Orders in Motion da Europa Universität-Viadrina (EUV) em dois contextos de imigração distintos: um urbano e um rural. Discutimos a vitalidade linguística (SIMONS; LEWIS, 2013; LEWIS; SIMONS, 2010, 2017; UNESCO, 2009; FISHMAN, 1991) com base em critérios sociolinguísticos mensuráveis, que estão relacionados com fenômenos próprios do contato linguístico tais como perda, manutenção e revitalização e, também, com ações glotopolíticas de ordem comunitária e institucional.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v21i1.5234

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