“[...] caelle da muytas uezes victoria a aquelles que creem e defende a sua sãcta fé”: concordância verbal no português arcaico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v22i2.7312

Palavras-chave:

Português arcaico; Concordância verbal; Variação; Regra variável.

Resumo

Este trabalho discute a variação da concordância verbal na primeira fase do período arcaico da língua portuguesa (séculos XIII e XIV), a partir de corpus constituído por textos literários e não-literários (oficiais, particulares e institucionais) representativos da produção medieval portuguesa. Fundamentando-se no aporte teórico-metodológico da Sociolinguística Histórica (ROMAINE, 1982) a análise dos dados confirma a existência de uma regra sintática variável já na primeira fase do período arcaico, definida pela influência de fatores de ordem morfo-fônica, sintática e semântica. As variáveis tipo de verbo, saliência fônica, posição do sujeito em relação ao verbo, indicação do plural no sujeito, caracterização semântica do sujeito, tipo de textoe realização do sujeito demonstram desempenhar um papel significativo no uso da regra da concordância verbal. Com base nos resultados, verbo inacusativo, menor nível de saliência, posposição ao verbo, sujeito [- humano], texto literário e sujeito realizado desfavorecem a aplicação da regra de concordância verbal. O comportamento dessas variáveis permite-nos atestar que a variação na primeira fase do período arcaico da língua portuguesa não é aleatória, mas condicionada por fatores que também têm sido considerados relevantes para a variação no português brasileiro (PB).

##plugins.generic.paperbuzz.metrics##

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Pedro Daniel dos Santos Souza, Universidade do Estado da Bahia

Doutor em Língua e Cultura (UFBA). Atua nas áreas de Linguística Histórica e de História Social da Cutura Escrita.

Referências

BARROS, João de. Grammatica da lingua portuguesa. Edição de M. L. Buescu. Lisboa: Faculdade de Letras, [1540] 1971.

COSTA, Pe. Avelino de Jesus da. Testamento de D. Afonso II, de 1214. In: COSTA, Pe. Avelino de Jesus da. Os mais antigos documentos escritos em português: revisão de um problema histórico-lingüístico. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra,1979. p. 307-321.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís Filipe Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FERREIRA, José de Azevedo. Afonso X: Foro Real. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1987.

HUBER, Joseph. Gramática do português antigo. Lisboa: Gulbenkian, [1933] 1986.

LABOV, William. On the use of the present to explain the past. Linguistics at the crossroads. Liviana: EditriceJupiter Press, 1975.

LASS, Roger. HistoricalLinguisticsandLanguageChange. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.

LEMLE, Mirian; NARO, Anthony Julius. Competências básicas do português. Rio de Janeiro: Fundação MOBRAL; Fundação Ford, 1977.

LUCCHESI, Dante. Variação e norma: elementos para uma caracterização sociolingüística do português do Brasil. Revista Internacional de Língua Portuguesa, n. 12, p. 17-28, 1994.

MACHADO FILHO, Américo Venâncio. Um ‘Flos Sanctorum’ do século XIV Edições, glossário e estudo lingüístico. 2003. Tese (Doutorado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2003.

MAIA, Clarinda de Azevedo. Dos textos escritos à história da língua. Conferência. Universidade do Minho, Centro de Estudos Humanísticos, 2002. p. 231-249. (Separata).

MAIA, Clarinda de Azevedo. História do galego-português: estado lingüístico da Galiza e do noroeste de Portugal desde o século XIII ao século XVI (com referência à situação do galego moderno). Coimbra: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1986.

MALER, Bertil. Orto do Esposo. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura; Instituto Nacional do Livro, 1956.

MARQUILHAS, Maria Rita Braga. A faculdade das letras: leitura e escrita em Portugal no século XVII. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000.

MARTINS, Ana Maria. Documentos portugueses do noroeste e da região de Lisboa: da produção primitiva ao século XVI. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Contribuição para a leitura crítica de textos medievais portugueses: sintaxe e grafia. ActesduColloqueTextuellePortugaise. Paris: Gulbenkian, 1986. p. 85-98.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Estruturas trecentistas: elementos para uma gramática do português arcaico. Lisboa: IN-CM, 1989.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Caminhos de mudanças sintático-semânticas no português arcaico. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, n. 20, p. 59-74, 1991.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O português arcaico: morfologia e sintaxe. São Paulo: Contexto, 1994.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Idéias para a história do português brasileiro: fragmentos para uma composição posterior. In: CASTILHO, Ataliba Teixeira de (org.). Para a história do português brasileiro: Primeiras idéias. v. 1. São Paulo: Humanitas; FAPESP, 1998a.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. A concordância verbo-nominal facultativa no português arcaico. Atas do IX Congresso da ALFAL, v. IV. Campinas: UNICAMP, 1998b. p. 165-175.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Novos indicadores para os limites do português arcaico. Comunicação ao Congresso Nacional do GELNE. Fortaleza, 2002.

NARO, Anthony J.; SCHERRE, Maria Marta Pereira. Variable concord in Portuguese: the situation in Brazil and Portugal. In: WCWHORTER, John (ed.). Language change and language contact in pidgins and creoles. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins, 2000. p. 235-255.

OLIVEIRA, Fernão de. Gramática da linguagem portuguesa. Edição crítica, semidiplomática e anastática de A. Torres e C. Assunção. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, [1536] 2000.

ROMAINE, Suzzane. Socio-historical linguistics: its status and methodology. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.

SAID ALI, M..Gramática Histórica da Língua Portuguesa. 8. ed. rev. atual. São Paulo: Melhoramentos; Brasília: Editora Universidade de Brasília, [1921] 2001.

SCHERRE, Maria Marta Pereira; NARO, Anthony Julius. Restrições sintáticas e semânticas no controle da concordância verbal em português. Fórumlingüístico, Florianópolis, UFSC, v. 1, n. 1, p. 45-71, jul./dez. 1998.

SOUZA, Pedro Daniel dos Santos. Concordância verbal em português: o que nos revela o período arcaico? 2005. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística) – Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005.

WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marvin I. Empirical foundations for a theory of language change. Austin: University of Texas Press, 1968.

Downloads

Publicado

2021-07-20

Como Citar

Souza, P. D. dos S. (2021). “[.] caelle da muytas uezes victoria a aquelles que creem e defende a sua sãcta fé”: concordância verbal no português arcaico . A Cor Das Letras, 22(1), 294–326. https://doi.org/10.13102/cl.v22i2.7312

Edição

Seção

Dossiê: Linguística Histórica: teorias, métodos e resultados. Homenagem a Rosa Virgínia Mattos e Silva