Estudos filológicos e estudos medievais: interfaces e interlocuções

Autores

  • Risonete Batista de Souza

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v22i1.7320

Palavras-chave:

Idade Média, Filologia, Manuscritos

Resumo

Neste texto, discutiremos as relações entre os estudos filológicos e os estudos medievais, no Brasil, tomando como exemplo as pesquisas realizadas na Bahia e, sobretudo, na UFBA, no âmbito da filologia, compreendida como ciência basilar para as pesquisas sobre a língua, a cultura e a história da sociedade, realizadas a partir dos textos e da documentação remanescente. A perspectiva de pesquisa filológica aqui defendida é a da Filologia renovada e comprometida com a investigação da língua, da literatura e da cultura da sociedade como um todo, sem fazer opções ideologicamente comprometidas com os grupos sociais detentores do poder. Ao se debruçar sobre o espólio textual e documental da sociedade brasileira, desde os seus primórdios, o filólogo precisará conhecer as bases das culturas que formaram nosso povo, dentre as quais, a cultura medieval europeia, cujas instituições, valores e ideologias foram transplantadas para a colônia. A Idade Média aqui é tomada no sentido da longa duração, ou seja, interessa-nos as permanências das estruturas econômicas e mentais que forjaram a sociedade europeia cristã, românica, e que serviu de base para a colonização do Brasil e da América.

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Publicado

2021-07-26

Como Citar

Souza, R. B. de . (2021). Estudos filológicos e estudos medievais: interfaces e interlocuções. A Cor Das Letras, 22(1), 473–485. https://doi.org/10.13102/cl.v22i1.7320

Edição

Seção

Artigos em Fluxo Contínuo