A LITERATURA, O MERCADO e o canto da sereia

Vera Lúcia Follain de Figueiredo

Resumo


A primeira crônica, publicada por João Ubaldo Ribeiro, no jornal O Globo, no
ano 2000, logo após o réveillon, gira em torno da relação entre arte e dinheiro. O escritor baiano, em tom irônico, manifesta sua profunda irritação diante do fato de muitas pessoas teimarem em não considerar a atividade artística como um trabalho digno de remuneração como qualquer outro, pois veriam o artista como um ser especial, escolhido pelas musas, diferente do comum dos homens e, portanto, acima dos interesses materiais. Essas mesmas pessoas, segundo João Ubaldo, seriam aquelas que acusariam o escritor de prostituição, de tornar-se um mercenário vil, seduzido pelo
canto da sereia do mercado, quando este se revela preocupado com a venda de seus livros ou aceita escrever por encomenda. Para fundamentar a sua defesa contra o “país que se apega a essas noções atrasadinhas”, nosso autor cita o exemplo de vários artistas consagrados que não perdiam de vista a recompensa financeira de seus trabalhos, como Shakespeare, Balzac, Dickens e lembra que Rembrandt, Goya, Michelangelo e Oscar Niemeyer também criaram por encomenda.


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Referências


BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. Trad. Maria Lúcia Machado. S.Paulo: Cia das Letras, 1996.

FONSECA, Rubem. Romance Negro. In: Romance Negro. S.Paulo: Cia das Letras, 1992.

FOUCAULT, Michel. O que é um autor?. Trad. Antônio Fernando Cascais e Edmundo Cordeiro. Vega, 1992.

PAZ, Octavio. A outra voz. S.Paulo: Siciliano, 1993.

RIBEIRO, João Ubaldo. De olho no mercado. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jan. 2000. Primeiro Caderno, p.7.

SANT’ANNA, Sérgio. O Duelo. In: A Senhorita Simpson. S.Paulo: Cia das Letras, 1989.


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