Uma releitura de O centauro no jardim, de Moacyr Scliar, como processo de aprendizagem para o “ser e viver junto”

Autores

  • Sergio Israel Levemfous Universidade Estadual de Santa Cruz

DOI:

https://doi.org/10.13102/lm.v11i2.6263

Palavras-chave:

literatura brasileira, identidade, alteridade, transferências culturais, errância

Resumo

 “Aprender a ser e a viver junto” é um processo primeiro interno. Algo que precisa ser equacionado e desejado pelo indivíduo antes de se tornar um investimento social, coletivo ou intercultural. Propomos uma visita ao romance de Moacyr Scliar O Centauro no jardim, que este ano completa quarenta anos desde sua primeira publicação e é, seguramente, um dos mais celebrados de seu repertório. Ao longo de uma narrativa ora fantástica ora verossímil, o protagonista faz uma espécie de percurso de autoconhecimento, uma viagem em um mundo interno. De certo modo, na acepção de Jung, um processo de individuação que ressignifica seu mundo relacional. A temática das obras de Scliar toca, sobretudo, na questão da imigração judaica no Brasil e na adaptação e integração desses imigrantes à sociedade brasileira. Para tanto, Scliar faz uso do humor e de certa leveza ao tecer personagens não exatamente confortáveis em seus contextos e muitas vezes em conflito interno. Personagens que tentam compreender sua condição identitária levando em conta traços de memórias, heranças culturais e a nova realidade que os cercam. É o caso de Guedali (judeu, gaúcho, brasileiro... um centauro?), que em meio a descobertas e deslocamentos espaciais percebe que sua condição múltipla pode não ser uma aberração, mas um atributo.

Biografia do Autor

Sergio Israel Levemfous, Universidade Estadual de Santa Cruz

Professor da Universidade Estadual de Santa Cruz; doutor em Études portugaises pela Sorbonne Université e em Cultura e sociedade pela UFBA; mestre em Literaturas francesa e francófonas pela UFRGS

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Publicado

2021-06-13

Edição

Seção

Artigos