A INSUFICIÊNCIA DAS CIÊNCIAS PARTICULARES PERANTE A EXIGÊNCIA DE UNIDADE DA COMPREENSÃO

José Fábio da Silva Albuquerque

Resumo


A Ciência historicamente constitui-se como o padrão hegemônico de apresentação de conhecimentos sobre o mundo. Rigor, procedimento, exatidão e previsibilidade são algumas das características principais que determinaram esse lugar de predominância científica nos dias atuais, em uma construção que, dependendo dos critérios abordados, podem remeter até ao início da cultura ocidental na Grécia Antiga. Ao partir desse entendimento sobre sua hegemonia, o presente artigo aborda o fenômeno Ciência e sua tendência à totalização da imagem do mundo através da tematização, na qual o todo do ente é disponibilizado à subjetividade representativa. Tal objetivo científico de uma unidade na totalidade dos conhecimentos parece esbarrar, no entanto, em outra característica basilar da Ciência, nominalmente, o caráter determinado (particular) de seus objetos. Apresenta-se, portanto, uma possível incoerência entre o objeto e o objetivo científicos. Não obstante, como a determinação do conhecimento é traço constitutivo da Ciência, ao passo que a tendência à totalidade não é exclusividade dela, busca-se a fonte a essa exigência de unidade na própria natureza da razão, o que abre passagem para a pergunta motriz do texto: as ciências particulares podem satisfazer a necessidade da razão em sua exigência de unidade para toda experiência possível? Com isso à vista, o texto apresenta uma alternativa ao entendimento de totalidade, seu status de âmbito transcendente e sua vinculação com o modo-de-ser da existência enquanto Dasein.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i38.4286

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eISSN: 2359-6384