MARGUERITE PORETE E A ESCRITA DE SI: ENTRE A LITERATURA E A FILOSOFIA

Autores

  • Emanuelle Valéria Gomes de Lima Universidade Estadual da Paraíba
  • Maria Simone Marinho Nogueira Universidade Estadual da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5007

Resumo

A Igreja, o Judiciário, o homem, ocuparam, desde os primórdios, os ambientes institucionais, sociais, literários e filosóficos. E, por isso, tentaram, por extenso período, evitar que mulheres ocupassem os mesmos espaços e cargos, sendo, portanto, negligenciadas em suas habilidades e, da mesma forma, silenciadas em seus lugares de fala. Apesar disso, algumas mulheres na Idade Média transgrediram essas vontades e subverteram a ordem do mundo naquele momento. É o caso de Marguerite Porete, mulher e escritora, autora da obra O espelho das almas simples e aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor, desobedecendo os ditames do campo literário/filosófico/teológico medieval ao escrever para que outras mulheres pudessem entender outra perspectiva que não apenas a da instituição Igreja que, naquela época, muitas vezes demonstrou colocar a instituição acima dos preceitos de Deus. Dito isso, o presente artigo analisa, na obra supracitada, através de uma revisão bibliográfica, o discurso da personagem Alma, a fim de verificar até que ponto as marcas linguísticas da memória retomam uma escrita de si.

Biografia do Autor

Emanuelle Valéria Gomes de Lima, Universidade Estadual da Paraíba

Mestranda em Literatura do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual da Paraíba.

Maria Simone Marinho Nogueira, Universidade Estadual da Paraíba

Doutora em Filosofia pela Universidade de Coimbra/Portugal. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba/Brasil. Graduada em Letras e em Filosofia pela Universidade Federal do Rio GRande do Norte.

Professora Associada do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual da Paraíba.

Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade da Universidade Estadual da Paraíba.

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Publicado

2020-12-17

Edição

Seção

Dossiê