AS MARCAS DA OPRESSÃO: A AUSÊNCIA DAS PENSADORAS NOS LIVROS DE FILOSOFIA À LUZ DO PENSAMENTO DE IRIS MARION YOUNG

Taís Pereira

Resumo


O objetivo deste artigo é investigar a ausência das filósofas nos livros didáticos da área, voltados para o Ensino Médio, a partir do aporte conceitual da teoria da justiça de Iris Young. Ao percorrer livros de diferentes linhas filosófico-pedagógicas, verifica-se que não há lugar de destaque para as pensadoras, implicando a visão errônea entre os estudantes de que a Filosofia é realizada apenas por homens. Se se assume que a formação é constituída pelas interações sociais, marcadas por relações que promovem a justiça ou a injustiça, é também papel da educação desenvolver a conscientização acerca de diferentes formas de opressão enraizadas, como é o caso das mulheres. Assim, uma teoria cujo foco não seja as condições de legitimidade de instituições, como é o caso de Young, pode lançar luz sobre como a injustiça estrutural que permeia vários âmbitos da vida social, dentre eles o ensino de Filosofia na educação básica. A fim de melhor sistematizar o percurso argumentativo do texto, será necessário 1) apresentar a ausência das filósofas nos livros didáticos aprovados pelo PNLD; 2) recorrer aos conceitos de grupo social e opressão em Young; 3) articular em que medida os livros didáticos refletem uma condição estrutural de opressão.


Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, C. Mulheres na pós-graduação em Filosofia no Brasil – 2015. São Paulo: ANPOF, 2016. Disponível em . Acesso em 28 de janeiro de 2020.

ARAÚJO, I. M. Em busca das mulheres na Filosofia: A participação das filósofas nos livros didáticos de Filosofia do Programa Nacional do Livro Didático – 2018. Recife: UFPB, 2019. Dissertação de mestrado profissional de Filosofia.

BRASIL, Lei ordinária 11.684 de 02 de junho de 2008. Altera o art. 36 de agosto de 2006, altera o artigo 10 da Resolução CNE/CEB nº 3/98, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Diário Oficial da União. Brasília, 2006, seção 1, p. 15.

BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e nº 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1 de maio de 1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Portal da Legislação. Brasília, 2017a. Disponível em . Acesso em 25 de fevereiro de 2020.

BRASIL, Ministério da Educação. PNLD 2018: Filosofia – guia de livros didáticos – Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação: Secretaria de Educação Básica, 2017b. Disponível em . Acesso em 20 de fevereiro de 2020.

CASTRO, C. P. Repensando as mulheres e a Filosofia: Uma análise dos livros didáticos de Filosofia de Ensino médio. Florianópolis: UFSC, 2016. Monografia de Especialização do curso Gênero e Diversidade na Escola.

COTRIM, G.; FERNANDES, M. Fundamentos de Filosofia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

FIGUEIREDO, V. (Org.). Filosofia: Temas e percursos. 2. ed. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2016.

GABRIEL, A. B. Gênero nas aulas de Filosofia: Análise de um livro didático. In: Kínesis, v. XI, n. 28, julho de 2019, p. 1-14.

GOUGES, O. Declaração dos direitos da mulher e da cidadã. In: Interthesis. v. 4, n. 1, janeiro/junho de 2017, s/p. Disponível em < https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/viewFile/911/10852>. Acesso em 28 de fevereiro de 2020.

MELANI, R. Diálogo: Primeiros estudos em Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2016.

RAWLS, J. O liberalismo político. Trad. Dinah Azevedo. 2. ed. São Paulo: Ática, 2000.

VASCONCELOS, J. A. Reflexões: Filosofia e cotidiano. São Paulo: Edições SM, 2016.

VELASCO, P. D. N. O que é isto – o PROF-FILO?. In: O que nos faz pensar?. v. 28, n.44, julho de 2019, p. 76-107.

YOUNG, I. M. Justice and the politics of difference. Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1990.

YOUNG, I. M. Inclusion and democracy. Oxford: Oxford University Press, 2000.

YOUNG, I. M. Education in the contexto of structural injustice: A symposium response. In: Educational Philosophy and Theory, v. 38, n. 1, February 2006. p. 93-103. Disponível em . Acesso em 23 fev. 2020.




DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5068

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


eISSN: 2359-6384