HANNAH ARENDT E A DIMENSÃO POLÍTICA DA AUSÊNCIA DE PENSAMENTO: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DO CASO EICHMANN

Aline Matos da Rocha

Resumo


Este artigo parte de uma leitura da obra “Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal”, de Hannah Arendt, buscando compreender a relação que se estabelece entre ausência de pensamento e a sua consequente dimensão política, entendida desde a relação (responsável) do indivíduo com o mundo (com)partilhado com uma comunidade plural. Através da companhia de Arendt, analisaremos a hipótese de que se Eichmann tivesse estabelecido outra relação com o pensamento, o mal existiria (o Nazismo era um fato), porém ele seria uma das pessoas que diriam não, ou conseguiriam se questionar: qual a dimensão política da minha adesão ao Regime do Terceiro Reich? Quem cultiva a atividade de pensar se impõe limites e estabelece empatia com o mundo plural, no qual somos sempre responsáveis. 

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5287

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eISSN: 2359-6384