CORPO E POLÍTICA: UMA LEITURA SOBRE ELISABETH DA BOÊMIA

Tessa Moura Lacerda

Resumo


Sou um corpo em meio a outros corpos. Descartes afirma isso na Sexta Meditação quando inicia a análise da sensação, visando demonstrar a existência dos corpos. O que são os outros corpos do ponto de vista de um sujeito de conhecimento? Aparentemente, o filósofo jamais pôde contemplar o aspecto político dessa consideração – sou um corpo em meio a outros corpos.

               A Sexta Meditação demonstra a distinção radical entre alma e corpo e a união de fato entre alma e corpo no ser humano. Elisabeth da Boêmia, interlocutora de Descartes, é a primeira a apontar a contradição na letra da Sexta Meditação, do ponto de vista da interação entre alma e corpo. Elisabeth sugere que é mais fácil conceber a alma como material do que supor a influência real entre duas substâncias radicalmente distintas. Elisabeth teria uma concepção material da alma? O que o diálogo epistolar entre Elisabeth e Descartes mostra é a presença do corpo nas reflexões de Elisabeth, presença do corpo físico e do corpo político. Talvez Elisabeth entenda melhor do que Descartes o que é ser um corpo em meio a outros corpos.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5455

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eISSN: 2359-6384