LÉLIA GONZALEZ, UMA FILÓSOFA AMEFRICANA

Carla Rodrigues, Juliana de Moraes Monteiro

Resumo


O artigo discute conceitos propostos pela pensadora Lélia Gonzalez a partir de sua articulação com a psicanálise, como a noção freudiana de denegação (Verneinung). Seguindo a linha argumentativa proposta por Gonzalez, o texto faz um duplo movimento: o primeiro visa explicar o funcionamento dessa formação do inconsciente, apontando como a questão racial brasileira seria atravessada por esse  mecanismo no qual a referência a algo só aparece na condição de ser negado e, justamente por isso, noções como “democracia racial” foram introjetadas na formação cultural do Brasil. Já no segundo, articulamos como o campo da filosofia se sustenta com base em negações e exclusões sistemáticas - sobretudo de mulheres - ,  razões pelas quais Lélia Gonzalez, uma mulher negra, não encontrou respaldo e reconhecimento no âmbito filosófico brasileiro. Nossa proposta é reivindicar a obra da pensadora como uma contribuição fundamental ao pensamento filosófico brasileiro.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5460

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eISSN: 2359-6384