A LEGITIMIDADE DA FILOSOFIA FEMINISTA: CONTRIBUIÇÕES INICIAIS À SUA IMPORTÂNCIA NO BRASIL

Tânia Aparecida Kuhnen, Ilze Zirbel

Resumo


Neste artigo procuramos argumentar a favor da legitimidade de uma Filosofia Feminista e contribuir para a sua solidificação no Brasil. Para tanto, discutiremos o suposto paradoxo da aproximação entre o pensamento feminista, de caráter mais concreto e atento às contingências e às vidas das mulheres, e a Filosofia, que preza a abstração e os universalismos, ao mesmo tempo que possui uma produção teórica androcêntrica e uma história de apagamento das mulheres. Em seguida, trataremos de algumas críticas endereçadas à Filosofia Feminista, efetuadas com o intuito de rejeitá-la como um campo de pesquisa e reflexão realmente filosófico – a saber, as de que atua de maneira ideológica e parcial, criando um gueto; de que é por demais interdisciplinar ou sociológica; e que não configuraria um campo próprio de pesquisa, uma vez que suas questões já estariam incluídas em alguma das subáreas da Filosofia. Nas duas últimas sessões refletiremos sobre uma Filosofia Feminista no Brasil (e brasileira), suas características e estratégias de enfrentamento do preconceito contra as mulheres e o feminismo na Filosofia, destacando a possibilidade de expansão da própria ideia do que significa filosofar.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5484

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eISSN: 2359-6384