NUNCA HOUVE UMA MULHER COMO GILDA DE MELLO E SOUZA

Silvana de Souza Ramos

Resumo


O presente artigo tem por finalidade realizar uma descrição fenomenológica da figura de Gilda de Mello e Souza a partir de sua aparição no filme-bricolage de Angelica Del Nery, Exercícios do Olhar – para falar de Gilda de Mello e Souza, de 2007. Essa descrição visa tanto a vida de Gilda quanto sua obra, atravessada pelo desafio de se tornar uma intelectual no Brasil. Tomamos o filme como uma oportunidade para realizar a passagem desta figura à sua forma, cujo fascínio, permeado por mistério, nos permite fazer uma análise do devir mulher em geral. Para além da clausura da figura feminina no escopo seja do sexo, seja do gênero, ambos concebidos como vetores de produção de identidades, deciframos o sentido existencial desse devir. Em suma, pretendemos conduzir o leitor a uma reflexão sobre a tensão entre as exigências identitárias que marcam a formação social da mulher moderna e a força centrífuga da liberdade, sem a qual não seria possível sustentar uma existência singular, tal como a de Gilda de Mello e Souza.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/ideac.v1i42.5768

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eISSN: 2359-6384