A NOVA ORDEM PATRIARCAL: APONTAMENTO SOBRE A INSCRIÇÃO DAS MULHERES NA COLONIAL-MODERNIDADE

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DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i43.7094

Resumo

O debate contemporâneo sobre as colonialidades engendradas pela Conquista da América e pelos Imperialismos dos séculos XIX e XX possibilitou que o campo de estudos de gênero e dos estudos feministas pudessem alargar suas reflexões teóricas para além do circunscrito projeto do movimento feminista branco euronortecentrado. O feminismo negro estadunidense, o feminismo chicano e, inclusive, feministas brasileiras como Lélia González, aportaram reflexões teóricas sobre a necessidade de se pensar a busca por igualdade de gênero por meio da justiça social, inscrevendo um feminismo radical a partir de concepções anticapitalistas, antirracistas e antipatriarcais. No entanto, devemos mais recentemente a teóricas como Oyèrónkë Oyěwùmí, María Lugones, Silvia Federici, Rita Segato, e muitas outras, novas compreensões sobre os efeitos de um sistema colonial de gênero, que fora gestado, inicialmente, no continente europeu, na passagem do feudalismo para o capitalismo, e cuja condição de existência reside nas duas barbáries coloniais. A partir do trabalho das teóricas acima referidas, este artigo intenta apresentar algumas reflexões sobre as características do patriarcado moderno, com o intuito de alargamos o olhar da teoria feminista contemporânea que busca abranger os outros 99 por cento.

Biografia do Autor

Elzahra Mohamed Radwan Omar Osman, Universidade de Brasília e Inep-MEC

Elzahrã M. R. O. Osman é graduada em Ciência Política e em Filosofia, ambas pela Universidade de Brasília (UnB), mestra em Bioética (UnB) e doutoranda em Filosofia (UnB). O mestrado em Bioética versou sobre o pensamento decolonial e os feminismos islâmicos contemporâneos, dissertação orientada pela antropóloga Rita Laura Segato. Atualmente realiza pesquisa doutoral em filosofia (2º-2018) na linha de Filosofia Política do Programa de Pós-Graduação em Filosofia pela Universidade de Brasília, sob orientação do professor Hilan Bensusan. A pesquisa procura estabelecer um diálogo entre a metafísica ocidental (ou seja, a filosofia) e seus outros, aqui recepcionados a partir dos aportes fornecidos pelos estudos sobre a colonialidade (pós-coloniais e decoloniais).  É pesquisadora das áreas de metafísica e epistemologia com interface em estudos sobre a colonialidade, e atua nos grupos de pesquisa "Anarchai: Metafísica e políticas contemporâneas" e "Epistemologias do Sul: Pensamento Social e Político em/desde/para América Latina, Caribe, África e Ásia", http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhorh/0045105200.

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Publicado

2021-06-13

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