BIOGRAFIA E AUTOBIOGRAFIA: TANGÊNCIAS E SECÂNCIAS

Autores

  • Antonio Valverde PUC-SP

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i43.7231

Resumo

O ensaio intenta problematizar e circunscrever os termos “biografia” e “autobiografia”, histórica e filosoficamente. Para tanto interroga pelos usos e apropriações, desde o registro das expressões logos prophorikos [προφορικός] e logos endiatetos [ἐνδιάθετος]. Derivando, em seguida, para a abordagem da criação do gênero autobiografia, por hipótese iniciada a meados do século XIII, com Marco Polo, com destaques para as escritas ao tempo do Renascimento, de Cellini e de Cardano, sob o arco da extroversão a apontar para a introversão dos modernos, conforme Agnes Heller. Ao final, o ensaio analisa alguns formatos de biografias registradas a várias mãos e a cinematográfica. Além de referências às autobiografias bem concertadas, de Vico, Goethe, Rousseau, Darwin, e à poética de Walt Whitman

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Publicado

2021-06-13

Edição

Seção

Dossiê