O MODELO DE RACIONALIDADE COMO UMA HERANÇA DO PENSAMENTO MODERNO: UMA CRÍTICA À LUZ DA NOVA RETÓRICA

Autores

  • Eduardo Chagas Oliveira Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i43.7235

Resumo

A partir de uma crítica ao modelo de racionalidade edificado pelos pensadores modernos, encontra-se um ponto de convergência entre teorias empiristas e racionalistas, no que se refere ao abandono de critérios de validação do conhecimento associados à argumentação e às estruturas não-formais de raciocínio. Considerando que existe uma marca indelével na construção do pensamento acadêmico-científico, que se traduz como uma herança deixada pelo racionalismo cartesiano, Perelman sugere uma proposta metodológica argumentativa, compatível com a ideia de razoabilidade, em substituição às provas demonstrativas, mais adequadas ao campo das ciências formais, inspiradas no modelo analítico.  O texto resgata ideias de filósofos modernos e antigos – como Descartes, Hume, Hobbes, Aristóteles e Platão – situando as suas teorias no projeto de construção de uma metodologia de investigação compatível com o campo das Humanidades, que inclui as Ciências Humanas e as Sociais Aplicadas, através da proposta de uma lógica do razoável, de Luis Recaséns Siches, que serviu de inspiração para a sustentação da vertente belga da Teoria da Argumentação, designada como Nova Retórica.

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Publicado

2021-06-13

Edição

Seção

Dossiê