HEGEL E A MODERNIDADE: A CRÍTICA HEGELIANA À FILOSOFIA MODERNA DA SUBJETIVIDADE

Autores

  • Manfredo Araújo de Oliveira Universidade Federal do Ceará (UFC) - UFC

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i43.7240

Resumo

A filosofia de Hegel se configura enquanto confronto com a tese básica da filosofia moderna: o esquema de pensamento sujeito/objeto que se constitui como a base e a estrutura de quadro teórico transcendental-subjetivo de Kant. Seu resultado é o estabelecimento de uma tese fundamentalmente contraposta à tradição: a tese da oposição radical entre a dimensão do pensar e a do ser, do sujeito e do objeto, da teoria e do mundo. A consonância entre Kant e Hegel se radica na ideia comum a ambos de que a primeira tarefa da filosofia consiste em expor e esclarecer a dimensão categorial, mediação irrecusável de todo conhecimento. O artigo procura mostrar, porém, que Hegel, apesar da meta fundamental, não conseguiu efetivar seu objetivo, pois sua proposta de configuração da filosofia constitui uma variante da filosofia moderna da subjetividade que ele projetou superar.

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Publicado

2021-06-13

Edição

Seção

Dossiê