MODELOS DE PRÍNCIPES VIRTUOSOS: ABORDAGEM DOS CAPÍTULOS 19 A 27 DO LIVRO I DOS DISCORSI DE NICOLAU MAQUIAVEL

Autores

  • Rodrigo dos Santos Professor Titular de Educação Básica II na SEE-SP. Trabalha na Escola Dr. João Pedro Cardoso, em Pindamonhangaba-SP.

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i43.7245

Resumo

O presente artigo tem por objetivo analisar e apresentar o estudo da relação dos homens com o tempo que supera de todo modo a afirmação da maldade humana e ou de uma pura e simples decadente natureza. E, apesar de aparente contradição entre a percepção da virtude ou não no príncipe, no ator político em Maquiavel, a questão posta é se – há príncipes virtuosos? Se é possível na “aparente” bondade encontrar tão somente uma substância má na perspectiva antropológica? Se considerarmos que se assim fosse, não haveria virtude e nem julgamentos dignos de elogios a serem imitados no pensamento corrente político do Florentino. Assim, sob o enfoque de três assuntos, a configuração do artigo, se analisará: (a) a teoria da virtú e da boa fortuna; (b) a necessidade do armamento, do conflito e da guerra na civiltà e (c) o modus operandis de investimento nesta formação de bons manuseadores de armas. Maquiavel, nestes capítulos do Discorsi nos dá a ideia da virtualidade dos príncipes para produção de benefícios para a república, na medida em que as sucessões e as políticas de expansão se fizerem prioridade dos seus líderes, tanto é que a verificação, pode-se ver diante da obra de Tito Lívio, quando ele citará Rômulo, que foi um rei feroz e belicoso; Numa Pompílio, rei tranquilo e religioso e Túlio Hostílio, pouco mais semelhante a Rômulo, só que mais amante da guerra do que da paz.

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Publicado

2021-06-13

Edição

Seção

Dossiê