ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DO TRABALHO DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

Michelle Oliveira Neves, Talita Hevilyn Ramos da Cruz Almeida, Aline Daud Lima Querino, Débora Cristiane Silva Flores Lino, Rozemere Cardoso de Souza

Resumo


Este estudo objetivou analisar aspectos psicossociais do cotidiano profissional de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), a partir da prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) e do modelo Demanda-Controle. Trata-se de um estudo
epidemiológico de corte transversal, realizado com uma amostra de 179 ACS do município de Itabuna, Bahia, Brasil. Para coleta de dados, aplicou-se questionário estruturado, contendo, dentre outras, questões relativas ao SRQ20 (Self Reporting Questionnaire), ao JCQ (Job Content Questionnaire)
e às condições sociodemográficas e ocupacionais. Fez-se análise estatística descritiva, através do Programa SPSS, versão 21.0. Dentre os resultados, destacam-se: maior frequência de mulheres (82,7%), com união estável (76,5%) e idade média de 39 anos. O tempo médio de trabalho foi de 8
anos. Sobre participação em treinamentos, a maioria referiu ter recebido treinamento antes (85,5%) e durante (82,1%) o exercício da função. A prevalência de TMC foi de 39,4%. Sobre o modelo Demanda-Controle frente ao trabalho, a distribuição dos ACS revelou que 39,1% dos trabalhadores vivenciam situações de vulnerabilidade, sendo expostos a baixo controle ou a alta demanda. Conclui-se que o TMC e baixo controle e alta demanda no trabalho são problemas psicossociais que afetam parcelas significativas dos ACS, os quais carecem de estratégias para melhoria da assistência e da vida no trabalho.


Palavras-chave


Saúde do Trabalhador; Saúde Mental; Agente Comunitário de Saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v7i1.1123

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