ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DO TRABALHO E TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS ENTRE OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

André Filipe Pinheiro Góes, Paloma de Sousa Pinho

Resumo


As influências do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores são conhecidas desde a antiguidade e, ao longo dos séculos, cresceu progressivamente a compreensão das relações entre trabalho e processo saúde-doença. Em se tratando de saúde mental, características presentes no cotidiano do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), os predispõem a fatores de riscos psicossociais, demandando uma dinâmica laboral particularmente estressante, a qual acaba gerando pressões e sobrecargas adicionais potencialmente causadoras de Transtornos Mentais Comuns (TMC). Nesse sentido, este estudo objetivou avaliar a associação entre os aspectos psicossociais do trabalho e transtornos mentais comuns entre os ACS do município de Santo Antônio de Jesus, Bahia. Realizou-se um censo amostral em um estudo transversal com 121 ACS da atenção básica. Os aspectos psicossociais foram avaliados através do modelo demanda-controle, enquanto os TMC foram avaliados pelo Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). A prevalência geral de TMC foi de 26,7%. Não foi observada associação positiva entre aspectos psicossociais e TMC proposto pelo modelo demanda-controle de Karasek, contudo o trabalho passivo (28,9%) esteve associado aos TMC. Sugere-se dessa forma, a realização de outros estudos para a complementação dos resultados aqui apresentados levando-se em consideração outros fatores que podem interferir nesse contexto.

Palavras-chave


Agentes Comunitários de Saúde; Saúde ocupacional; Condições de Trabalho; Transtornos Mentais

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v6i1.1172

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