IMPACTO DA IMPLANTAÇÃO DAS EQUIPES DE SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA EM DOIS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA

Sandra Garrido Barros, Maria Cristina Teixeira Cangussu, Denise Nogueira Cruz, Larissa Oliveira Ramos Silva, Angelo Giuseppe Roncalli

Resumo


Objetivo: Avaliar o impacto da Estratégia Saúde da Família (ESF) sobre utilização de serviços e morbidade referida em saúde bucal em dois municípios com mais de 100.000 habitantes. Métodos: Estudo observacional, de base populacional e arquitetura transversal que entrevistou 1.652 famílias de 22 setores censitários no município A e 1.371 famílias em 20 setores no município B. Resultados: Em A, verificou-se maior necessidade de tratamento em áreas não cobertas e maior utilização de serviços nas áreas cobertas, com diferenças estatisticamente significantes para todas variáveis. A prevalência de dor de dente não apresentou diferença entre os grupos (RP=0,99; IC95% 0,96-1,03). A cobertura de tratamento foi maior em áreas cobertas (RP=0,65; IC95% 0,59-0,72). O maior acesso a informações em saúde bucal nessas áreas (RP=0,59; IC95% 0,56-0,62) pode ter interferido na identificação de problemas pela população, resultando em prevalências mais elevadas. Em B, verificou-se menor necessidade de tratamento em áreas não cobertas (RP=0,91; IC95% 0,86-0,96) e menor utilização dos serviços nas áreas cobertas, com diferenças estatisticamente significantes. Conclusão: A implantação de ESB/ESF significou uma ampliação da utilização dos serviços, entretanto, o uso de medidas de morbidade referida não revelou impacto sobre as condições de saúde bucal da população, sendo necessário o uso de indicadores mais sensíveis.

 


Palavras-chave


Saúde Bucal; Atenção Primária à Saúde; Serviços de Saúde; Avaliação em Saúde

Texto completo:

PDF

Referências


REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.444, 28 de dezembro de 2000.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 267, 06 de março de 2001.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação de Saúde Bucal. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal. Brasília, 2004.

Frazão P, Narvai PC. Saúde Bucal no Sistema Único de Saúde:: 20 anos de luta por uma polí¬tica pública. Saúde em Debate 2009; 33 (81):64-71.

Calado G.S. A inserção da equipe de saúde bucal no Programa de Saúde da Família: principais avanços e desafios. 122 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2002.

Senna MCM. Eqüidade e política de saúde: algumas reflexões sobre o Programa Saúde da Família. Cad. Saúde Pública 2002; 18 (1): 203-11.

Andrade KLC, Ferreira EF. Avaliação da inserção da Odontologia no Programa de Saúde da Família em Pompeu (MG): a satisfação do usuário. Ciência e Saúde Coletiva 2006; 11 (1): 219-227

Emmi DT, Barroso RFF. Avaliação das ações de saúde bucal no Programa de Saúde da Família, no distrito de Mosqueiro, Pará. Ciência e Saúde Coletiva 2008; 13 (1):35-41.

Lourenço EC, Silva ACB, Meneghiem MC, Preira AC. A inserção de equipes de saúde bucal no Programa Saúde da Família no Estado de Minas Gerais. Ciência & Saúde Coletiva 2009; 14 (1): 1367-1377.

Palacio DC, Vazquez FL, Ramos DVR, Peres SV, Pereira AC, Guerra LM, Cortellazzi KL et al. Evolução de indicadores pós-implantação da saúde bucal na Estratégia Saúde da Família. Einstein 2014; 12 (3):.274-281.

Soares FF, Chaves SCL, Cangussu MCT. Desigualdade na utilização de serviços de saúde bucal na atenção básica e fatores associados em dois municípios brasileiros. Rev Panam Salud Public 2013; 34(6): 401-6.

Corrêa GT. Avaliação da oferta e uso de serviços odontológicos públicos e o impacto das equipes de saúde bucal da estratégia de saúde da família no aumento da produção ambulatorial nos municípios brasileiros entre 1999 e 2011. Porto Alegre. Dissertação [Mestrado em Odontologia] – Programa de Pós-graduação em Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2013. 78f

Rocha RACP, Goes PSA. Comparação do acesso aos serviços de saúde bucal em áreas cobertas e não cobertas pela Estratégia Saúde da Família em Campina Grande, Paraíba, Brasil. Cad. Saúde Pública; 2008, 24 (12): 2871-2880.

Pereira CRS, Patrício AAR, Araújo FAC, Lucena EES, Lima KC, Roncalli AG. Impacto da Estratégia Saúde da Família com equipe de saúde bucal sobre a utilização de serviços odontológicos. Cad. Saúde Pública 2009; 25 (5): 985-996.

Merhy E, Franco TB. Programa saúde da família: somos contra ou a favor? Saúde em Debate 2002; 26: 118-22.

Pereira CRS, Roncalli AG, Cangussu MCT, Noro LRA, Patrício AAR, Lima KG. Impacto da Estratégia Saúde da Família sobre indicadores de saúde bucal: análise em municípios do Nordeste brasileiro com mais de 100.000 habitantes. Cad. Saúde Pública 2012; 28 (3): 449-62.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Base de dados por setor censitário. CD-ROM. IBGE, 2005

Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da Família [OnLine] Disponível em http:// www.saude.gov.br/psf. [Acesso em setembro 2005].

Souza TMS, Roncalli AG. Saúde bucal no Programa Saúde da Famí¬lia: uma avaliação do modelo assistencial. Cad. Saúde Pública 2007; 23 (11): 2727-2739.

Almeida GCM, Ferreira MAF. Saúde bucal no contexto do Programa Saúde da Família: práticas de prevenção orientadas ao indivíduo e ao coletivo. Cad. Saúde Pública 2008; 24 (9): 2131-2140.




DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v6i2.1212

Apontamentos

  • Não há apontamentos.