PROJETO TERAPÊUTICO FAMILIAR: UMA EXPERIÊNCIA DE ATENÇÃO INTEGRAL EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA NUM MUNICÍPIO DO SEMIÁRIDO BAIANO

Luciana Maia Santos Vidal, Cristian David Osorio Figueroa, Leonardo Almeida Santos, Ewerton Vinicius da Silva Pereira, Laila Vanessa de Jesus

Resumo


A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é hoje o principal modelo de atenção à saúde do Brasil. Na tentativa de incorporar os princípios dessa estratégia, as atividades do módulo de Práticas de Integração Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC), em parceria com uma equipe de Saúde da Família, desenvolveram ações de cuidado integral com famílias vulneráveis. O objetivo deste trabalho é descrever os problemas identificados e as intervenções realizadas por um grupo de estudantes de medicina e seus professores na elaboração do Projeto Terapêutico de uma família acompanhada. Foram identificados, como problemas, a hipertensão arterial sistêmica e obesidade, que se agravaram ao existir sobrecarga do cuidador da família. A adesão terapêutica ainda é um dos principais entraves no êxito das intervenções no âmbito da ESF, mostrando a complexidade do processo saúde-doença-cuidado de cada indivíduo. A clínica ampliada como proposta pedagógica permitiu a identificação de fatores extrínsecos voltados para a compreensão da história individual de cada membro em seus riscos, vulnerabilidades e hábitos de vida assim como o papel do cuidador no processo de aderência, o que não seria possível na clínica tradicional. Políticas de promoção à saúde precisam ser desenvolvidas para a prática do cuidador diante o perfil sociodemográfico e epidemiológico brasileiro.


Palavras-chave


Estratégia Saúde da Família; Adesão à Medicação; Assistência Domiciliar; Cuidadores

Texto completo:

PDF

Referências


Universidade Estadual de Feira de Santana. Manual do Módulo de Práticas de Integração Ensino, Serviço e Comunidade IV. Feira de Santana: NUEG/UEFS; 2015.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: DOU; 2011. Disponível em: . [10 nov 2016].

Brasil. Ministério da Saúde. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. 2.ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2007. Disponível em: . [10 set 2016].

Garuzi M, Achitti O, Sato CA, Rocha SA, Spagnuolo RS. Acolhimento na Estratégia Saúde da Família: revisão integrativa. Rev. Panam. Salud Públ. 2014; 35(2): 144-149.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. VI Diretriz Brasileira de Hipertensão. Rev Bras Hipertens 2010; 17(1): 8-68.

Figueiredo NN, Asakura L. Adesão ao tratamento antihipertensivo: dificuldades relatadas por indivíduos hipertensos. Acta Paul enferm. 2010; 23(6): 782-787.

Linck CL, Bielemann VLM, Sousa AS, Lange C. Paciente crônico frente ao adoecer e a aderência ao tratamento. Acta Paul enferm. 2008; 21(2): 317-22.

Cabral IE, Moraes JRMM. Familiares cuidadores articulando rede social de criança com necessidades especiais de saúde. Rev Bras Enferm 2015; 68(6): 1078-85.

Meneguin S, Ribeiro R. Dificuldades de cuidadores de pacientes em cuidados paliativos na estratégia da saúde da família. Texto Contexto Enferm 2016; 25(1).

Barp M, Vilela SDC. Cuidador familiar do idoso com transtorno mental e comportamental: vivências e sentimentos desvelados. Rev. enferm UERJ 2016; 23(6): 805-10.

Ra P, Eb S. Sobrecarga dos cuidadores de idosos com acidente vascular cerebral. Rev Esc Enferm USP 2013; 47(1): 185-92.

Batista MPP, Almeida MHM de, Lancman S. Cuidadores formais de idosos: contextualização histórica no cenário brasileiro. Rev Bras Geriatr e Gerontol 2014; 17(4): 879-85.

Costa SRD, Castro EAB. Autocuidado do cuidador familiar de adultos ou idosos dependentes após a alta hospitalar. Rev Bras Enferm 2014; 67(6): 979-86.

Oliveira WT, Antunes F, Inoue L, Reis LM, Araújo CRMA, Marcon SS. Vivência do cuidador familiar na prática do cuidado domiciliar ao doente crônico dependente. Cienc Cuid Saude 2012; 11(1): 129-137.

Marques A, Landim FLP, Collares PM, Mesquita R de. Apoio social na experiência do familiar cuidador. Ciênc. saúde coletiva 2011; 16(suppl 1): 945-955.

Wang X, Robinson KM, Hardin HK. The Impact of Caregiving on Caregivers’ Medication Adherence and Appointment Keeping. West J Nurs Res 2015; 37(12): 1548-62.

Yee JL, Schulz R. Gender Differences in Psychiatric Morbidity Among Family Caregivers: A Review and Analysis. Gerontologist Oxford University Press 2000; 40(2): 147-64.

Noblat ACB, Lopes MB, Lopes GB, Lopes AA. Complicações da hipertensão arterial em homens e mulheres atendidos em um ambulatório de referência. Arq. Bras. Cardiol. 2004; 83(4): 308-13.

Carneiro G, Faria AN, Ribeiro Filho FF, Guimarães A, Lerário D, Ferreira SRG, et al. Influência da distribuição da gordura corporal sobre a prevalência de hipertensão arterial e outros fatores de risco cardiovascular em indivíduos obesos. Rev. Assoc. Med. Bras. 2003; 49(3): 306–11.

Laham CF. Percepção de perdas e ganhos subjetivos entre cuidadores de pacientes atendidos em um programa de assistência domiciliar. Biblioteca Digital de Teses e [Dissertação - Universidade de São Paulo]. São Paulo; 2004. Disponível em: . [01 dez 2016].

Chen YM. Differences in Outcomes of Caregiver Support Services for Male and Female Caregivers. SAGE Open 2014; 4(3).

Hudson P, Aranda S. The Melbourne Family Support Program: evidence-based strategies that prepare family caregivers for supporting palliative care patients. BMJ Support Palliat Care 2014; 4(3): 231-7.




DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v7i2.1592

Apontamentos

  • Não há apontamentos.