VIOLÊNCIA NO TRABALHO EM SAÚDE NOS SERVIÇOS DE MÉDIA COMPLEXIDADE

Eduardo Moreira Novaes Neto, Tânia Maria de Araújo, Camila Carvalho de Sousa, Jorgana Fernanda de Souza Soares, Iracema Lua

Resumo


O objetivo deste estudo foi estimar os fatores associados à violência no trabalho em serviços de saúde da média complexidade na Bahia. Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, exploratório, realizado com 463 trabalhadores de saúde em serviços de média complexidade de três municípios da Bahia, aleatoriamente selecionados. A variável desfecho foi a violência no trabalho autorreferida pelos trabalhadores da saúde. As variáveis de exposição investigadas foram: características sociodemográficas, ocupacionais e hábitos de vida. Foram realizadas análises univariada, bivariada e multivariada. A prevalência de violência no trabalho foi de 59,5%, dentre estes 51,6% referiram o usuário do serviço de saúde como o principal autor dos atos de violência. Após análise multivariada, permaneceram associadas à violência no trabalho as seguintes variáveis: ensino fundamental/médio (RP=0,59; IC=0,44–0,78), ensino técnico (RP=0,76; IC=0,63–0,93), trabalho em turno noturno (RP=1,30; IC=1,09–1,57) e em regime de plantão (RP=1,29; IC=1,02–1,62), atividade profissional como técnico de enfermagem (RP=2,51; IC=1,23–5,12), médico (RP=2,22; IC=1,08–4,55) e auxiliar administrativo (RP=2,26; IC=1,11–4,62). O estudo possibilitou conhecer melhor como a violência no trabalho se comporta nas unidades de média complexidade na Bahia, traçando assim um perfil epidemiológico deste evento.


Palavras-chave


violência no trabalho; profissional da saúde; saúde do trabalhador

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v8i1.2115

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