TRIÂNGULO AMOROSO: UMA VARIAÇÃO DO AMOR NA CONTEMPORANEIDADE

Bruna Souza Rocha Oliveira

Resumo


Desde a antiguidade os seres humanos vêm estruturandose em pares, famílias e comunidades. Ao longo do tempo, essas estruturas passaram a se configurar de diferentes formas e o conceito de família passa a assumir vários sentidos diferentes de acordo com a somatória de convicções políticas e ideológicas de uma determinada época. As uniões familiares já passaram de apenas junção de classes, para, a partir do século XVIII, uniões amorosas, na qual o vínculo estabelecido era afetivo e não apenas financeiro, até o laço conjugal moderno ser estabelecido juntamente com os ideais de
individualismo e dar início à união por amor. Novas configurações não param de ocorrer, já que segundo Morgan apud Engels "A família é o elemento ativo; nunca permanece estacionada, mas passa de uma forma inferior a uma forma superior." (1984, p.30) De acordo com Marlise Matos (2000), é possível percebermos a superação de valores que tradicionalmente orientavam o comportamento pessoal e social na modernidade.
Com todas essas mudanças, antigos conceitos foram se reformulando, dando espaço para, segundo a autora, configurações amorosas distintas, como parcerias homo e heteroeróticas, acrescidas de outros desafios como pacto de "abertura" nos relacionamentos, e relacionamentos que envolvem questões poliamorosas. Tomando como base essas novas estruturas de relacionamento, este trabalho busca mapear a representação de diferentes relações triangulares, através do conto O corpo, de Clarice Lispector, e do filme Os sonhadores (2003), Bernardo Bertolucci.
A análise pretende observar as relações triangulares e as diferentes imagens do amor dentro de triângulos amorosos configurados de formas distintas, analisando como é construída a noção de união amorosa nessas representações artísticas e o que, apesar das dessemelhanças nas estruturas dos dois vínculos, os tornam análogos.


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