O DIÁLOGO INTERCULTURAL E A FORMAÇÃO INICIAL DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS COM ABORDAGENS NA ESTNOBIOLOGIA, NA HISTÓRIA E NA FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS: O CASO UEFS

Camilla Ferreira Amorim

Resumo


Sabendo-se que uma das práticas formativas do trabalho docente é - ou pelo
menos deveria ser – a sensibilidade sobre a diversidade cultural inerente dos estudantes,
sua consideração dentro da sala de aula deveria ser uma prática corriqueira. Pimenta
(2002) releva a importância da sensibilidade por parte dos professores, pois é por esta
via que ele “... se dá conta da situação complexa do ensinar. A sensibilidade é uma
forma de conhecimento: Sensibilidade da experiência é indagação teórica permanente
(PIMENTA, 2002, p.18).
A diversidade de culturas presente nas salas de aula constitui importante
instrumento para o ensino de ciências, na medida em que pode favorecer a compreensão
dos conteúdos científicos por meio do diálogo entre a cultura da ciência e as culturas
dos estudantes. Neste sentido, uma proposta diferenciada ao abordar os conteúdos em
sala de aula seria o uso da linguagem da etnobiologia como uma forma de
contextualizar o conhecimento cientifica no meio sociocultural do educando. Sabendo
que é um campo interdisciplinar, a etnobiologia estuda as diversas relações que os seres
humanos e suas culturas estabelecem com a natureza. A etnobiologia, “... é o estudo do
papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados
ambientes (POSEY, 1986, p. 15).
Um dos principais objetivos da etnobiologia é promover um embasamento
teórico capaz de integrar diferentes ramos das ciências naturais e sociais em outros
campos de conhecimento científico, servindo como um elo entre diferentes culturas na
intenção de elucidar a compreensão e o respeito mútuo entre os membros desses grupos
e seus diferentes saberes e práticas (ROSA e OREY, 2014). No campo de ensino de
ciências, segundo Baptista (2015), a estnobiologia pode trazer preciosas contribuições,
podendo facilitar a investigação e compreensão dos saberes tradicionais dos estudantes,
o que certamente permitirá aos professores estabelecer o diálogo com a cultura desses
sujeitos, encorajando-os à participação durante as aulas. Todavia, cumpre destacar, não
apenas a estnobiologia pode contribuir para o diálogo nas aulas de ciências. Para
Baptista (2010), a história e a filosofia da ciência podem contribuir para que os
professores consigam delimitar a natureza da ciência, elucidando para os estudantes as
inúmeras relações que podem existir entre os conhecimentos científicos e aqueles que
são inerentes aos seus meios socioculturais, sejam elas de semelhanças e/ou de
diferenças.
No presente estudo são apresentados dados da pesquisa de iniciação científica da
primeira autora cujo objetivo central foi identificar a presença, ou não, de abordagens
que permitem a sensibilização dos professores para lidar com a diversidade cultural nos
programas dos componentes curriculares (obrigatórios e optativos) dos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas e Pedagogia desta universidade. Partimos da
premissa de que a estnobiologia, a história e a filosofia das ciências podem contribuir
para a sensibilização dos professores para lidar com a diversidade cultural nas salas de
aula, por permitir-lhes reflexões que lhes conduzirão para a investigação e compreensão
dos saberes culturais dos estudantes e, por conseguinte, para o diálogo intercultural no
ensino (Baptista, 2015). O seguinte questionamento deu origem ao nosso estudo: - Os
cursos Licenciatura em Ciências Biológicas e Pedagogia da UEFS possui entre os seus
componentes curriculares abordagens que permitem a sensibilização dos futuros
professores para o diálogo intercultural nas salas de aula?


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