A CARTOGRAFIA TÁTIL NO ESTUDO DO LUGAR: FEIRA DE SANTANA

Juliana Oliveira dos Santos

Resumo


No mundo globalizado, as informações chegam simultaneamente a diversos lugares do planeta, sobretudo através do desenvolvimento de novas tecnologias da informação e comunicação. Assim, compreender as inter-relações pessoais marcadas pela mundialização das informações, gostos, cultura, música, estilos de vida, entre outros, torna-se a cada dia mais complexo. E essa mundialização tem impactado diretamente as relações interpessoais em muitos lugares, visto que esse fenômeno tem contribuído para a homogeneização dos costumes e, consequentemente, causando estranheza das pessoas, devido a modificações em práticas cotidianas históricas.
Com a inserção de novas referências sociais, as relações cotidianas estabelecidas no lugar tornam-se mais frágeis, fazendo com que muitas pessoas tenham dificuldades de distinguir sua identidade de outras e reconhecer-se no seu lugar de vivência.
Entender as relações sociais num mundo altamente globalizado e competitivo é um desafio. Nesse ponto a escola é fundamental, pois é através de seu papel social de educar visando uma educação emancipatória, libertadora e a formação de um sujeito crítico e reflexivo, que lhe permitirá problematizar, analisar e entender a dinâmica enfrentada por diversos lugares. Além disso, cabe à escola a função de debater com os educandos que entender o lugar significa analisar o processo pelo qual passam através de uma visão sistêmica, já que há uma relação dialética entre questões políticas, econômicas e significações sociais ali materializadas, tendo em vista que essas relações globais estão em constante transformação.
A escola, portanto, deve intensificar sua prática no lugar para entender as variáveis internas e externas, buscando entender a realidade dos sujeitos com os quais lida. É importante que a instituição conheça a cultura e, além disso, participe do processo de mediação dessas informações exógenas e endógenas, pois conforme Chaveiro (2008), fechar-se no lugar pode significar apenas servir a um autoritarismo da tradição; e o extremo, abrir-se ao “fora” e às suas representações, pode ser o vínculo, apenas, ao que aliena e usa o lugar.
O conhecimento do lugar possibilitará aos educandos entender a realidade global e relacioná-la com a local e, também, discutir essas transformações no sentido de reconstruir e/ou reafirmar as referências e a identidade do lugar.
No campo educacional, a geografia é uma aliada importante na reafirmação da identidade, principalmente quando pautada na construção de saberes ligados à realidade socioespacial dos educandos e quando comprometida com o processo de construção do raciocínio geográfico, como salienta Cavalcanti (1998).
Em Feira de Santana, cidade em análise, é grande a escassez de referências teóricas e materiais didáticos para se trabalhar o estudo do lugar. Isso impacta diretamente na prática docente, fator que leva ao desconhecimento da história do lugar
1 - Bolsista FAPESB- Graduada em Geografia, Universidade Estadual de Feira de Santana-BA.
2 -Graduada em Geografia, Universidade Estadual de Feira de Santana-BA.
3- Orientadora, Departamento de Educação, Universidade Estadual de Feira de Santana-BA.
pelo alunado. Se for notória a pouca disponibilidade de material didático, a questão
acentua-se ainda mais quando nos referimos a materiais para o estudo do lugar
direcionados aos alunos com deficiência, pelo fato desse público ser historicamente
excluído do convívio social e educacional.
Diante desta realidade, é necessário construir e sistematizar esse conhecimento
visando à escolarização dos alunos com deficiência, porque em tempos de inclusão, é
inadmissível um currículo estático e tradicional que desconsidera as especificidades e as
potencialidades de todos os sujeitos. Nesse sentido, a Tecnologia Assistiva (TA), é um
importante instrumento para escolarização dos sujeitos, sendo a TA:
Uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba
produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que
objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e
participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade
reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e
inclusão social. (CAT, 2007c, apud, GALVÃO FILHO, 2009, grifo nosso).
Trabalhar a cartografia é um desafio para professores e alunos, sobretudo quando
nos referimos a estudantes com deficiência visual, pois pela falta do sentido visual,
acaba sendo retirado o seu direito de aprendê-la.
A Cartografia Tátil é um recurso de tecnologia assistiva muito relevante na
mediação pedagógica de alunos com Deficiência Visual (DV). Os recursos táteis têm a
vantagem de serem produzidos com baixo custo financeiro e visam proporcionar ao
aluno com deficiência visual mais autonomia, mobilidade e aprendizagem do
conhecimento geográfico, aspecto muito importante no mundo globalizado, que exige
dos sujeitos, cada vez mais, o entendimento da dinâmica que o cerca. Por isso deve ser
estudada, divulgada e incentivada.
A Cartografia Tátil é:
[...] um ramo específico da cartografia, que se ocupa da
confecção de mapas e outros produtos cartográficos, para serem
usados por pessoas cegas ou com baixa visão. Eles podem ter
objetivos educativos e/ou serem facilitadores da orientação e
mobilidade dessas pessoas nos espaços de vivência. (RIBEIRO,
2012, p.96, grifo nosso).
Assim, esse trabalho teve como objetivo estudar o lugar (Feira de Santana), bem
como elaborar metodologias e materiais didáticos táteis .O trabalho se justifica pela
carência de referenciais teóricos e materiais nessa área, além de valorizar as
experiências e anseios dos pesquisados, tornando os recursos confeccionados mais
eficientes, pois serão testados e imediatamente analisados pelos seus usuários diretos,
permitindo aperfeiçoá-los de modo a torná-los operacionais, de acordo com as
singularidades dos sujeitos. Também proporcionará ao professor desenvolver um olhar
reflexivo de sua prática no sentido de transformá-la e melhorá-la (PIMENTA e
GHEDIN, 2006).


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