A CONCORDÂNCIA E O USO DO CLÍTICO SE COMO PARTÍCULA APASSIVADORA NO PORTUGUÊS POPULAR DE LUANDA

Maike da Silva Pereira

Resumo


Os estudos que envolvem o clítico se têm despertado questões importantes e que merecem ser discutidas. Nas mais diversas áreas da linguística, pesquisadores têm explicitado o conservadorismo presente em estudos gramaticais na classificação do clítico se ora como índice de indeterminação do sujeito, ora como partícula apassivadora. Esse ceticismo presente nas abordagens prescritivas da língua tem como consequência o afastamento dos falantes da língua, pois construções comumente vistas na norma popular do português, como “Vende-se casas” acabam sendo classificadas erroneamente como “agramaticais” pela tradição gramatical.
É nesse ponto que os estudos linguísticos, sociolinguísticos e filológicos têm contribuído para um olhar mais delicado acerca das contradições presentes na tradição gramatical sobre o uso do se. Este plano baseia-se na observação e análise do português de variedade africana (PA) falado por luandenses, pautando-se ora em pesquisas anteriores sobre concordância verbal com a terceira pessoa do plural, ora em pesquisas sociolinguísticas sobre o uso do clítico se no português brasileiro (PB). O intuito aqui estabelecido é de pesquisar se o fenômeno da concordância padrão na terceira pessoa do singular, que se mostrou tão presente em pesquisas anteriores sobre o português de variedade angolana, interfere no uso do clítico se nas entrevistas analisadas. Já que, segundo a tradição gramatical, para a realização do clítico se como partícula apassivadora é imprescindível que haja concordância verbal.


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