DETECÇÃO DE SEQUÊNCIAS PROTEICAS IMUNOGÊNICAS DA NEURAMINIDASE DE Porphyromonas gingivalis ATCC 33277: AVALIAÇÃO IN SILICO COM ALELOS HLA-DR

Yuri Andrade de Oliveira

Resumo


A periodontite é uma doença inflamatória que acomete os tecidos de suporte do dente,
podendo levar à reabsorção do osso alveolar, destruição de fibras colágenas e, por fim, perda
dentária (Lindhe, 1999). Esta enfermidade apresenta etiologia multifatorial, tendo como um
dos principais agentes etiológicos a presença de um biofilme disbióticona região subgengival
(Hajishengalis, 2014)).
Dentre os microrganismos presentes no biofilme, destaca-se Porphyromonas
gingivalis, que é um bacilo gram-negativo, anaeróbio estrito, imóvel, intensamente
proteolítico e um importante indutor de inflamação (Mayer et al., 2013). É um patógenochave
na disbiose oral e é o microrganismo mais estudado em sua relação com a periodontite
crônica (Hajishengallis & Lambris, 2012).
P. gingivalis possui uma ampla gama de fatores de virulência, como hemaglutininas
(Gao et al., 2010), LPS, fímbrias, polissacarídeo de superfície resistente ao complemento e
proteases que degradam moléculas sinalizantes e citocinas (Preshaw & Taylor, 2011).
As neuraminidases são proteínas sintetizadas por microrganismos patogênicos,
incluindo P. gingivalis, e são consideradas fatores de virulência, contribuindo para a sua
capacidade de induzir a doença periodontal (Teughels et al., 2011; Li et al., 2012).
Por outro lado, o reconhecimento desses fatores de virulência pelo sistema imune do
hospedeiro ocorre por um sistema complexo de reconhecimento e sinalização da imunidade
inata, culminando na apresentação de antígenos para os linfócitos T e ativação da imunidade
inata. A maioria dos linfócitos T reconhece apenas peptídeos lineares curtos, pois seus
receptores de antígenos (TCR) são específicos para antígenos apresentados por moléculas do
MHC presentes na superfície das células apresentadoras de antígeno (APC) e tais moléculas
se ligam a peptídeos. Os linfócitos T CD4+ reconhecem peptídeos provenientes de proteínas
extracelulares, apresentados pelas moléculas MHC de classe II (Abbas et al., 2011).
Nos seres humanos, os genes que codificam o MHC localizam-se no braço curto do
cromossoma 6. O HLA (MHC humano) de classe II possui três loci de genes, denominados
HLA-DP, HLA-DQ e HLA-DR. Cada lócus contém vários genes separados denominados A
ou B, que codificam as cadeias α ou β, respectivamente. A nomenclatura do alelo HLA
considera o enorme polimorfismo (variação entre indivíduos) identificado por métodos
sorológicos e moleculares (Abbas et al., 2011).
Diante do exposto, o presente trabalho buscou identificar os epítopos peptídicos
imunogênicos com afinidade para HLA, em seguida sintetizar as sequências peptídicas para
depois utilizar em experimentos com cultivo celular para a compreensão do papel da
neuraminidase na patogênese da periodontite crônica, bem como para posterior utilização em
ensaios imunoenzimáticos que auxiliem no diagnóstico da doença.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2319

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