COTIDIANO ESCOLAR EM BREJÕES: A ESCOLA GÓES CALMON

Amanda Gradil Correia

Resumo


A proposta de trabalho aqui presente, inserida no campo da História Cultural e Social da Educação tem como objetivo identificar o processo de escolarização no interior baiano, com foco nas práticas e no cotidiano escolar do Colégio Góes Calmon. Tal colégio foi criado em 1964, às vésperas dos quarenta anos da emancipação do município de Brejões- BA, por iniciativa popular através da Associação Cultural de Brejões, uma entidade sem fins lucrativos, mantida por uma mensalidade paga pelos sócios e pela taxa da qual os discentes que cursavam o ginásio pagavam. A escolha do nome do estabelecimento deu-se em homenagem ao ex-governador do estado da Bahia Dr. Francisco Marques de Góes Calmon que no seu governo assinou a Lei de Emancipação do Município, além disso, foi o primeiro governador a visitar o Município tendo se hospedado no Chalé onde passaria a ser o Ginásio. Criada por votação a 1ª Diretoria desta Associação em 04 de abril de 1964, que se reuniu na mesma data tendo como prioridade principal a criação de um Ginásio em Brejões, com a denominação de Ginásio Góes Calmon. Esta instituição passou a funcionar no dia 21 de abril do mesmo ano com o Exame de Admissão.
É relevante, nesse sentido, entender o Colégio Góes Calmon não apenas como uma instituição resumida a seu espaço físico, mas sim, observá-lo como um local de vivências e experiências diversas. Experiências essas que vão definir uma cultura formada no interior da escola e de cada sala de aula. Faria Filho em seu artigo “A cultura escolar como categoria de análise e como campo de investigação na história da educação” utiliza de João Viñao Frago, afirmando que a cultura escolar recobre as diferentes manifestações das práticas instauradas no interior das escolas, transitando de alunos a professores, de normas e teorias. Na sua intepretação, englobava tudo que acontecia no interior da escola. Neste sentido, Faria Filho também traz outra interpretação para se pensar a cultura escolar, que é a análise feita por André Chervel. Chervel estabelece uma crítica ao espaço escolar como simples agente de transmissão de saberes elaborados fora dela. Considerando então, a escola como local do conservadorismo, da rotina e da inércia. Para ele, a instituição escolar seria capaz de produzir um saber específico cujos efeitos estendiam-se sobre a sociedade e a cultura, e que emergia das determinantes do próprio funcionamento institucional. Chervel ainda critica a ideia de uma escola encerrada na passividade, de uma escola receptáculo dos subprodutos culturais da sociedade. Assim, tendo as disciplinas escolares como agentes que caracterizam a cultura escolar, o sistema escolar é detentor de um poder criativo insuficientemente valorizado até aqui é de que ele desempenha na sociedade um papel que não se percebeu que era duplo: de fato, ele forma não somente indivíduos, mas também uma cultura que vem por sua vez penetrar, moldar, modificar a cultura da sociedade global.
Nesse sentido, é pensando nessas variadas funcionalidades do sistema escolar que este projeto não só analisa o cotidiano de um colégio localizado no interior baiano, como
também problematiza a existência de uma cultura escolar produzida na escola, para a
escola e pela escola e quais são as interferências que o Colégio Góes Calmon estabelece
com a comunidade brejoense. Levando em consideração também, a importância desse
debate na contribuição para os estudos em História da Educação e nas pesquisas
relacionadas ao tema.


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