MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DO MUNICIPIO DE VALENTE E PARTICIPAÇÃO FEMININA

Diana Paula Nunes Carmo

Resumo


Este plano de trabalho faz parte do projeto “SER TÃO FORTE: Desenvolvimento Territorial Sustentável”, apoiado pela Chamada CNPq/MDA/SPM-PR N° 11/2014 – Núcleos de Extensão em Desenvolvimento Territorial (Processo CNPq n° 463080/2014-9). O trabalho aqui desenvolvido objetivou mapear os grupos culturais do município de Valente (BA), destacando àqueles compostos por mulheres, a fim de perceber uma possível influência dessa participação na construção da identidade feminina.
Se tratando de cultura popular, o texto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é uma referência para os países nas discussões sobre cultura. No documento de 19891, registra-se: a cultura tradicional e popular como o conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural fundadas na tradição, expressadas por um grupo ou por indivíduos e que reconhecidamente respondem às expectativas da comunidade enquanto expressão de sua identidade cultural e social; as normas e os valores se transmitem oralmente, por imitação ou de outras maneiras. Suas formas compreendem, entre outras, a língua a literatura, a música, a dança, os jogos, a mitologia, os ritos, os costumes, o artesanato, a arquitetura e outras artes.
No Brasil, na década de 1980 e anos subsequentes, ocorreu um movimento significativo de retomada do interesse por questões culturais de tradição oral, identificadas como culturas popular, tradicional, popular de tradição oral, raiz, tradições populares e também o folclore que é o termo consagrado historicamente. Esses fatos culturais também podem ser caracterizados como patrimônio imaterial, mediante a Constituição Federal de 1988 que engloba como Patrimônio Cultural Brasileiro, os recursos de natureza material e imaterial. (IKEDA, 2013). Nesse contexto de cultura popular e de recursos materiais e imateriais que as manifestações culturais do município de Valente estão inseridas e arraigadas, predominando as danças como Samba de Roda e o Reisado, e para a finalidade do presente relatório a ênfase reside da atuação feminina nesse cenário.
O Samba de Roda foi inspirado nos ritmos tribais africanos e é a junção de um estilo musical associado a uma dança. São utilizados instrumentos como pandeiros, atabaques, berimbau e viola de chocalho seguido de palmas harmoniosas. No samba de
1 Conferência “Recomendação sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular” IN: IKEDA (2013), tradução do autor.
roda, a dança é organizada com uma pessoa no centro da roda, dançando sozinho e realizando gestos no ritmo da música e posteriormente escolhe outra pessoa para assumir seu lugar, com uma umbigada, e assim vão acontecendo as trocas dos dançarinos no centro da roda. A presença das mulheres é fundamental nessa apresentação, elas batem as palmas e frequentemente saem para sambar e para responder aos versos cantados. (OLIVEIRA; AMAZONAS; DORIA, 2010).
Outra manifestação presente na cultura popular é o Reisado, que é descrito por Araújo (1973) como característico da região da jangada, onde alegra as noites das cidades e povoados nordestinos. Os trajes do reisado são os mais vivos por conta de seus vários enfeites de espelhinhos, vidrinhos, lentejoulas, entre outros. Os espelhos têm uma finalidade mágica, funcionam como um amuleto, servindo para um choque de retorno, onde todo o mal e todos os maus desejos que baterem nos espelhos retornarem para quem os tenha tido. A função desses espelhos é protetiva, defensiva e amulética. As danças são denominadas de peças, onde são executados os mais determinados passos e aparece a criação individual dos dançarinos.


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