A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE NA OBRA O SER E O NADA

Luciene Braga Borges

Resumo


Este resumo expandido tem como objetivo principal analisar a relação entre os conceitos de liberdade e responsabilidade, propostos por J-P Sartre, na obra O Ser e o Nada (2014/1943). Nesta obra, Sartre define a liberdade em termos ontológicos enquanto que a responsabilidade parece definir-se em termos morais. Se não há motivações a priori para as nossas ações, se os valores só aparecem na e depois da liberdade, então, não há um bem ou um mal que nos guia e que justifica nossas ações. Não obstante, se estas ações, praticadas por nós, são escolhidas livremente, então, devemos assumir que o mundo que elas criam, no qual tais valores aparecem, é nossa responsabilidade. Para Sartre, “a existência precede a essência” (SARTRE, 2010, p. 25), o que significa afirmar que a realidade humana não traz consigo uma definição, ou seja, ela é aquilo que faz de si ao longo de um processo histórico. Este é, segundo Sartre, o primeiro princípio do existencialismo. Então, para o autor, apesar de não haver um determinismo psicológico ou qualquer outro tipo de determinismo guiando nossas ações, precisamos assumir todas as consequências que nossas ações criam. Partindo do princípio citado, o autor considera que podemos colocar a realidade humana em posse do que é, a saber, um projeto que não encontra em si nem no mundo justificativas. Podemos atribuir-lhe total responsabilidade pelos seus atos. A questão principal trabalhada na pesquisa, é, portanto, se diante destas colocações, apontadas por Sartre, podemos pensar em uma implicação ética, na O Ser e o Nada (2014/1943), a partir da reflexão ontológica sobre a liberdade.

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