Desigualdades sociais e pobreza na Região Metropolitana de Salvador: um estudo sobre a economia popular e solidária como mecanismo de erradicação.

Renaildes Dórea Cintra

Resumo


O presente trabalho de pesquisa caracteriza-se em sua materialidade por propor uma discussão referencial sobre a problemática da pobreza e desigualdades sociais na Região Metropolitana de Salvador (RMS). E no enfrentamento desta situação apontam-se os resultados negativos oriundos do descaso com os aspectos socias durante o processo de planejamento governamental e na implementação de uma estratégia de desenvolvimento regional, o qual baseou-se exclusivamente no estabelecimento de um projeto de industrialização da Bahia com superação do enigma baiano( não-industrialização) . Na esteira deste processo observa-se em períodos recentes a difusão de políticas públicas que vem gerando benefícios para a população baiana como as práticas vinculadas a economia popular e solidária que nos últimos anos tem se caracterizado como um importante instrumento no combate a penúria e disparidades observadas neste território.
De início destaca-se as empreitas do estado baiano na implementação de uma política industrial e ações desenvolvimentistas que tinham como propósito abandonar a velha estrutura produtiva da Bahia baseada nos modelos de produção agroexportador que mantinha a economia regional refém do quadro econômico externo. Segundo Teixeira e Guerra (2000, p. 5) “na Bahia, em particular, o período delimitado pelas décadas de 1950 e 1980 marca a transição de uma economia, predominantemente, agroexportadora que vinha apresentando um desempenho inferior à média nacional para uma economia industrializada e concentrada na produção de commodities intermediárias”. Ainda é possível relatar que durante o mesmo período a Bahia torna-se alvo de fortes investimentos e “em 1957, a Refinaria Landulfo Alves-RLAN (no Recôncavo Baiano) começava a desempenhar um papel mais relevante na economia estadual, inclusive trazendo prematuramente para seu entorno a indústria química”(BAPHISTA ,2003, p 267) .
Além da Refinaria, a RMS percebeu uma expansão no crescimento da sua população e produção, devido a grande migração e extração de petróleo pela Petrobrás e no estabelecimento de novos projetos como o Centro Industrial de Aratu e a instalação do Pólo Petroquímico de Camaçari, dentre outros. No entanto, conforme aponta Carvalho (2008) este processo se deu com a perda de participação das atividades agrícolas que perceberam um relativa redução em relação a outras atividades ligadas aos setores de industria, comércio e serviços, estes ao longo dos anos elevaram o nível de empregos gerados. Todavia, deve-se ter em mente que apesar da quantidade de postos de trabalho que foram criados tem-se que as características das indústrias de transformações, baseadas em capital intensivo, alta concentração e pouca capacidade de absorção de mão - de- obra, agravava o quadro da produtividade da economia baiana.
Deflagrando sobre ela uma certa instabilidade , já que o cenário local era dado por grandes fluxos migratórios, precariedade nas relações de trabalho e mão-de-obra pouco qualificada. Atrela-se outro fator a fragilidade da economia regional, a dependência produtiva das indústrias de bens intermediários baianas e a falta de verticalização na produção , mantendo durante anos a Bahia refém das indústrias de capitais finais das regiões do Centro-Sul.Desta forma, tem-se que com a crise do modelo desenvolvimentistas no inicio da década de 1990, e as transformações estruturais na economia brasileira impostas pelas organizações multilaterais tem-se que a Bahia vai perceber um agravamento da sua situação com elevações nos níveis de pobreza, desigualdades socias e informalidade do mercado de trabalho . Segundo Pedrão (2003, p.238) “ a questão social da pobreza na Bahia está entre as mais complexas do Brasil e das que se reproduzem de modo complexo e imprevisível.”


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