HIPÓTESE DOS DÉFICITS GÊMEOS NO BRASIL: O PAPEL DOS JUROS E DO CÂMBIO

Tullia Maria Ribeiro Oliveira Erseni

Resumo


Com a identificação da ocorrência simultânea de déficits orçamentários e comerciais na economia dos Estados Unidos nos anos 1980, a investigação sobre a relação entre os déficits fiscal e em conta corrente ganhou destaque. Desde então, têm sido realizados trabalhos a nível internacional a fim de verificar se esse fenômeno se apresenta em outros países (VAMVOUKAS, 1999; SALVATORE, 2006; KALOU e PALEOLOGOU, 2012).
Segundo a literatura teórica, a relação entre o déficit fiscal (BD) e o déficit em transações correntes (CAD) do balanço de pagamentos pode dar-se de cinco maneiras: i) variações no BD causam variações no CAD na mesma direção (hipótese dos Déficits Gêmeos, cuja explicação ampara-se no Modelo Mundell-Fleming e na Teoria da Absorção); ii) os déficits são independentes (hipótese amparada pela Equivalência Ricardiana); iii) a causalidade parte do CAD para o BD (proposição da Meta em Saldo de Conta Corrente, apontada por Summers (1988)); iv) há relação de bicausalidade ; e v) variações no BD causam alterações do CAD em direção contrária (hipótese Twin Divergence).
Tão importante quanto a identificação da relação de causalidade entre os déficits é a investigação dos possíveis mecanismos de transmissão entre eles. Nesse sentido, a literatura internacional tem se concentrado no comportamento das taxas de câmbio e juros como variáveis de controle. Já no Brasil, o estudo da relação entre os déficits teve início em 1998, com o artigo de Islam. Desde então, alguns trabalhos a esse respeito têm sido feitos (SOUZA e GOMES, 2015; IKUNO e GADELHA, 2016), encontrando, contudo, resultados discrepantes. Além disso, dentre os poucos estudos realizados, nem todos utilizam variáveis de controle.
Diante da situação econômica brasileira, que combina uma melhora nas transações correntes com resultado fiscal deficitário, torna-se relevante investigar a relação entre os déficits. Dessa forma, este trabalho se propõe a averiguar a relação de causalidade entre os déficits fiscal e em conta corrente no Brasil entre 2002 e 2016, buscando identificar o papel das taxas de câmbio e juros na orientação da causalidade.


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