AS PESSOAS CRESCIDAS, O SURDO E AMOR DOS ANIMAIS: A CRISE EXISTENCIAL NAS CRÔNICAS DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Ana Lúcia Jesus da Silva

Resumo


António Lobo Antunes é um escritor português contemporâneo que revela um novo olhar para os acontecimentos históricos e sociais que ocorreram e ocorrem em Portugal e no Ocidente. Suas obras são também construídas através da memória e suas vivências. Ele utiliza, em seus romances e crônicas, a ironia, o grotesco e o riso para desconstruir todo o imaginário Português, criticando os acontecimentos e suas consequências que perpassam por toda a sociedade pós-moderna. A sociedade contemporânea ocidental passou e continua passando por grandes avanços tecnológicos, em que o homem da pós-modernidade encontra-se deslocado e desorientado, entrando em colapso, cheio de sonhos e desejos frustrados. Uma das saídas encontradas por ele é o consumo excessivo, que garante apenas uma felicidade momentânea. Mesmo assim, o individuo capitalista agarra-se a essa ideia ilusória de falsa felicidade com todas as suas forças. Bauman (2001, p. 90), em Modernidade Líquida, expõe que, uma sociedade consumista baseia-se na comparação universal e que o céu é o único limite. Isso porque essas pessoas nunca estarão satisfeitas com os bens adquiridos, e sempre desejará mais novidades a serem consumidas. Este estudo tem por objetivo, analisar a crise de identidade do sujeito pós-moderno nas crônicas, As pessoas Crescidas, O Surdo e Amor dos Animais, de Lobo Antunes, através das ferramentas de desconstrução social: Ironia, grotesco e riso. Nas crônicas escolhidas para estudo, o presente autor discorre de diferentes maneiras a fragmentação do sujeito da pós-modernidade, seja pelo apego à infância, a rejeição dos avanços tecnológicos, os desejos e sonhos frustrados; pela loucura e a incerteza do futuro, temáticas que vão além da ficção, sendo facilmente encontrados na sociedade ocidental atual.
A escrita Antuniana ecoa na vida de seus leitores, fazendo com que eles se identifiquem com os personagens, através de recortes e situações do cotidiano. Isso porque suas obras partem de uma base real, mostrando que o ser humano passa por momentos felizes e tristes, ao contrário do que prega a sociedade pós-moderna, em que o individuo tem que ser sempre o melhor em tudo o que faz. Lobo Antunes desconstrói essas ideias, revelando, ficcionalmente, que o ser humano é falho, fraco e imperfeito, e que utiliza, na sociedade, máscaras para esconder seus fracassos e debilidades. Arnaut (2009, p. 35) revela que não se pode deixar de apontar as frustrações e agonias que se presentificam nos vazios emocionais, das almas atormentadas que habitam os personagens antunianos. A partir das questões propostas, pretendemos fazer um breve estudo da crise identitária do sujeito pós-moderno nas crônicas: As pessoas Crescidas, O Surdo e Amor dos Animais, mostrando, de forma crítica, a degradação do indivíduo na sociedade ocidental.


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