A ARTE DE LER: REFLEXÕES SOBRE AS POSSIBILIDADES DE LEITURA SIGNIFICATIVA

Maria Júlia Souza Silva

Resumo


Este trabalho se propõe a refletir sobre a construção de experiências diferenciadas na leitura de textos literários, abordando os conhecimentos apresentados pela antropóloga francesa Michèle Petit (1946) reunidos no livro A arte de ler ou como resistir à adversidade (2009) no qual apresenta uma visão particularizada da leitura e da literatura, diferente daquela vivida por nossas escolas e seu público. Acreditando que o modelo utilizado pela escola tradicional está defasado, distante das exigências e interesses do novo público, buscamos outras formas de experiências de leitura significativas para a formação do sujeito leitor.
As reflexões sobre literatura ou leitura recaem, normalmente, no âmbito acadêmico ou de formação profissional do indivíduo. É indiscutível que o hábito de ler favorece a construção de novos conhecimentos, a aquisição de um vocabulário mais rico e diversificado, além de contribuir para melhorar a escrita. No entanto, como afirmou Marcel Proust (1871-1922), escritor francês, que escreveu Em busca do tempo perdido, a leitura pode ser como uma viagem, um sair de si mesmo, que proporciona ao leitor, após suas reflexões, compreensões novas sobre sua identidade e seu mundo.
A antropóloga francesa Michèle Petit (1946) relata no livro A arte de ler (2009), experiências em que a leitura aparece como um instrumento que vai muito além de ferramenta pedagógica, mas, um suporte, um abrigo para pessoas ou comunidades que vivem adversidades as mais diversas. Em países da América Latina, lidando em bairros com pessoas marcadas pela violência física, psicológica, social, a leitura ou os livros ultrapassam o espaço de informação e conhecimento e fornecem subsídio para a superação da dor, do sofrimento, devolvendo a jovens, crianças e adultos a oportunidade de um resgate de si mesmos e reconstrução de suas vidas.
O reinventar-se proposto pela literatura se torna possível porque a leitura promove a construção de sentidos. Apesar dos conflitos internos ou externos, há um sentido que se constrói naquilo que vive o leitor, ao ler um livro ou ouvir uma história, conto, lenda ou mito. No momento em que pensam sobre o que estão lendo ou ouvindo, segundo a autora, pode acontecer uma espécie de catarse, uma revelação: “Esses momentos em que se levantam os olhos do livro e onde se esboça uma poética discreta, onde surgem associações inesperadas” (PETIT, 2009, p. 24). A leitura promove um momento de encontro ao redor de uma história e a partir daí suscitará discussões de questões pessoais e coletivas, como nos tempos antigos em que os homens se reuniam ao redor da fogueira para ouvir as histórias de seus antepassados, suas próprias histórias, portanto. O livro é só o mote, o pretexto para que haja um mergulho no mundo pessoal de cada um.


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