ESPAÇOS NÃO-FORMAIS, ESTUDO DO LUGAR E EDUCAÇÃO EMANCIPATÓRIA: (RE)SIGNIFICANDO SENTIMENTOS E VALORES SOBRE FEIRA DE SANTANA

Daiane Correia Vasconcelos

Resumo


A educação deve estar voltada para a vida, servindo à libertação humana, fundada na criatividade e estimulando a reflexão e a ação verdadeiras dos homens sobre a realidade (FREIRE, 1987; 1997), para que possa interferir conscientemente sobre sua realidade sócio-espacial, em constante transformação e, com isso, “[...] permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história” (FREIRE, 1980, p. 39). Nesse contexto, faz-se necessário que a educação ocorra para além dos muros da escola, apropriando-se também de espaços não-formais, que, segundo Gohn (1999; 2014) tem como um dos pressupostos básicos que a aprendizagem ocorra através da prática social e, consequentemente, do intercâmbio social, na perspectiva de trazer a realidade do educando para o processo educativo, já que se constitui como um ponto de partida para o desenvolvimento de competências e habilidades da educação formal.
No contexto educacional atual, faz-se necessário discutir o papel da escola e repensar as possibilidades educativas que possam contribuir na preparação do educando para a vida, de modo que contribua para a (re)valorização da geografia a partir do estudo do lugar de vivência dos educandos. É preciso ensinar o educando a pensar, tendo em vista a realidade social, cultural e política do contexto que este se encontra inserido, e provocar a curiosidade e interação com os objetos de estudo. Acredita-se que uma das possibilidades pedagógicas que pode contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades, de modo que ofereça condições para que o aluno esteja apto para a vida, seja o desenvolvimento de ações educativas em museus por ser um lugar de memórias e valorização de cultura.
Os museus têm como uma das suas funções “[...] situar todo e qualquer homem como agente de sua própria história” (BENCHETRIT; BEZERRA; CHAGAS, 2008, p. 7), de modo que favoreça a sua atuação no “[...] desenvolvimento social, possibilitando caminhos que conduzem à reflexão, à produção de conhecimentos e ao desenvolvimento de uma consciência crítica” (op. cit.), como pressupõe uma educação libertadora. Desta forma, este espaço educativo não-formal pode possibilitar ao educando reconhecer-se como sujeito da realidade sócio-espacial constantemente transformada e contribuir para a (re)significação de sentimentos e valores, do sujeito e do seu reconhecimento como parte de um grupo social, o que requer o compartilhamento de memórias.
A partir do exposto pretendeu-se responder através desta pesquisa ainda em andamento, os questionamentos: De que forma o Museu Casa do Sertão pode contribuir
para o ensino-aprendizagem de geografia? Qual a relação do Museu Casa do Sertão com a construção/fortalecimento de identidades, sentimentos, significados, valores e outras características subjetivas com Feira de Santana, enquanto lugar de vivência? Quais as possibilidades e os desafios do uso do Museu Casa do Sertão enquanto mediador na construção de conhecimentos geográficos?
Na tentativa de responder aos questionamentos supracitados está sendo desenvolvida uma pesquisa de caráter qualitativo e extensionista, no âmbito do Museu Casa do Sertão, objetivando criar uma tela interativa que simule o espaço do museu, contemplando informações sobre as coleções através do tour virtual. Esta experiência virtual tem a pretensão de reforçar o papel educativo do Museu Casa do Sertão ao possibilitar o aprofundamento dos conhecimentos do visitante com o auxílio da tela interativa, bem como contribuir para sua função social a partir da (re)significação de sentimentos e valores sobre Feira de Santana enquanto lugar.


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