A BAHIA SERTANEJA EM SEARA VERMELHA, DE JORGE AMADO

Thaílla da Silva Sena

Resumo


A partir dos anos de 1930 o sertão passa a ser um tema frequentado, tanto no campo da
ciência e da poesia como também em grandes romances brasileiros. Os problemas da seca, a
exploração do homem camponês, a concentração de terras nas mãos dos coronéis, o êxodo
rural, o cangaço, os movimentos messiânicos são temas recorrentes no chamado Romance de
30.
Do conjunto deste romanceiro destaca-se a obra Seara vermelha, do escritor Jorge
Amado, publicada no ano de 1946. O livro traz uma novidade geográfica no que diz respeito
ao conjunto da obra amadiana, na medida em que ali não se recria a vida baiana nas ruas,
becos e ladeiras de Salvador ou das cidades do Recôncavo, nem é ambientado em terras
grapiunas ou nas matas do cacau. Seara vermelha encena outra cartografia da Bahia, toma
como cenário o sertão, “território onde a fome cria bandidos e santos” (AMADO, 1946: 239),
nele inscrevendo os atalhos de beatos e cangaceiros, a saga dos retirantes, das gentes expulsas
da terra pelo latifúndio e pela seca em direção a São Paulo. Trata-se de um romance de
“grande intenção política”, como afirma o autor, em entrevista a Alice RAILLARD (1985:
163).
Neste trabalho coloco em questão não apenas “a intenção política” do romance, mas,
sobretudo, a representação amadiana de sertão, enquanto paisagem física e social, daí porque
procuro mapear as circunstâncias históricas que condicionam a narrativa, problematizando o
lugar social de enunciação do autor e buscando compreender as confluências entre projeto
éticos-políticos e estética literária no contexto da produção da obra tomada para análise.
O trabalho se justifica pela quase inexistência de estudos sobre a temática proposta. A
maioria de trabalhos existentes sobre a Bahia, sejam eles de cunho científico, sejam literários,
no mais das vezes priorizaram como recorte espacial a zona Salvador /Recôncavo. No caso da
obra de Jorge Amado, as análises também têm priorizado os romances ambientados na cidade
da Bahia ou que retratam a saga do cacau. Nesse sentido, o trabalho pode vir a contribuir para
diminuir essa grande lacuna acerca da construção de representações sobre o espaço geográfico
sertão na Bahia, como também colocar em discussão o papel jogado pelas narrativas literárias
na elaboração de imagens e estereótipos acerca da paisagem-sertão.


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