CARTOGRAFIA DA ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA NO BRASIL

Lisandra Katllen Carneiro Ferreira

Resumo


O ser humano usa o desenho desde os primórdios da humanidade para se expressar,
registrar e ensinar. Os primeiros desenhos que se tem conhecimento são as pinturas
feitas em rochas, chamadas de pinturas rupestres. São registros dos costumes e das
práticas cotidianas do homem do Paleolítico.
Séculos depois, percebendo a necessidade de se guardar o que se conhecia, filósofos e
naturalistas passaram a desenhar animais em seu habitat natural, plantas, cotidiano da
sociedade, escrever sobre materiais e técnicas de desenho, o que contribui para o avanço
nos estudos de determinadas áreas, como astrologia, geografia, Antropologia, zoologia,
etc.
É com o Renascimento no fim do século XIV que a Europa volta à valorização do
homem (humanismo), da razão (racionalismo) e do naturalismo da Antiguidade
Clássica, abandonados anteriormente na Idade Média. As navegações aumentaram no
período renascentista, e a fim de novos mercados e rotas comerciais, a expansão
marítima avançou para além do atlântico. Sentiu-se a necessidade de guardar/ registrar o
conhecimento adquirido até o período, então a nobreza europeia e o clero financiavam
as enciclopédias. Elas continham ilustrações do Novo Mundo, novas plantas e animais,
criou-se uma catalogação das novas descobertas. Na área cartográfica, o desenho dos
mapas foi essencial para a demarcação dos territórios, já que, as novas conquistas
tornaram difíceis a identificação dos limites territoriais apenas visualmente.
Ao se pensar sobre Ilustração Científica no Brasil, faz-se necessário discorrer sobre o
desenho, o ato de desenhar, suas relevâncias, capacidade de expressão artística do ser
humano, bem como a capacidade de representação do pensamento. Nesta perspectiva,
desenhar é a arte que explora sua imaginação e sua capacidade de expressar aquilo que
se pensou; é hobbie, é profissão, é explicação, é entendimento e escrita; é guardar
memórias.
O desenho institui-se como um espaço privilegiado de investigação, no
desemaranhar dos fios do pensamento, em que, desenhar é como clarificar os
passos, percursos e estratégias da nossa consciência, trazendo-os à superfície
do suporte. (BISMARCK, 2000, p.01)
Ou seja, o desenho traz à tona o que nossa consciência gostaria de materializar. É uma
forma de desembaralhar os muitos pensamentos que passam pela mente do ser humano,
seja o desenho compreensível a outro ou apenas à própria pessoa.
O desenho está presente em toda a vida de um ser humano, seja ele o desenhista ou não.
Nesse estudo buscou-se mapear os espaços onde o desenho cientifico, sob a forma de
ilustração tem espaço e é praticado não apenas como instrumento técnico de
representação, mais também como espaço de pesquisa e divulgação da multiplicidade
que o desenho e sua prática podem alcançar.


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