MESTRAS DA FEIRA: COTIDIANOS E OBSTÁCULOS

Ana Nathalia Netto Brito Silva

Resumo


A presente investigação procurou analisar o papel da mulher e normalista no século XX. Tendo em vista todas as imposições que a sociedade da época determinava e, somado a isto, as condições de trabalho, pode-se afirmar que não foi uma tarefa fácil. Levando em consideração estes aspectos, inspirada nas noções de representações sociais de Roger Chartier, juntamente com o trabalho de Antonio Roberto Seixas Cruz intitulado “Mestras do sertão: reconstruindo caminhos percorridos”, a presente pesquisa buscou rememorar o cotidiano das normalistas no exercício da profissão e os desafios que tiveram ao longo das suas caminhadas. Antes de tratar das normalistas em si, é necessário saber qual o contexto social que elas estavam inseridas, ou seja, uma cidade sertaneja no século XX chamada de Feira de Santana. Feira de Santana surge a partir das andanças dos comerciantes que faziam seu percurso entre o interior e a capital, no século XVIII. Muitos paravam para descansar e acabavam ficando na região. Assim foi surgindo o povoado, que logo depois cresceu e se tornou uma vila. Feira de Santana em todo o tempo teve a característica de ser essencialmente rural, de ter em seu berço as tradições relacionadas aos vaqueiros e sertanejos.
Além disso, a urbe se tornou um grande e importante centro comercial no interior, fazendo ligação com diversas cidades vizinhas. Dessa forma, a ideia de modernidade e progresso fez com que ao longo do tempo esse cenário de uma cidade “do interior”, ligada as tradições sertanejas e, consequentemente, “atrasada” fosse transformado. Feira passou por diversas mudanças e uma delas foi a implantação da Escola Normal em 1927. Assim, a cidade se tornou um pólo comercial e, dessa forma as pessoas se dirigiam a ela com “o intuito de buscar os serviços educacionais inexistentes em seus municípios e em vista da dificuldade do acesso à capital” (CRUZ, 2012, p. 52). Dessa forma, em 14 de agosto de 1925 a Escola Normal foi criada pelo então governador da época, Francisco Marques de Góes Calmon, porém só teve sua inauguração em 1º de Junho de 1927. Além do prédio central, ainda possuía um anexo que era onde as professoras que estavam em formação faziam o que hoje denominamos de estágio, que eram práticas pedagógicas vivenciadas nos contextos da sala de aula da Escola Anexa à Escola Normal de Feira de Santana.
Tendo em vista todo este cenário, temos então a figura da normalista. Afinal, quem era a normalista? A mulher possuía um lugar social previamente estabelecido, o de ser mãe, cuidadora do lar. Quando passam a exercer a profissão do magistério, esse discurso vem como forma de potencializar outro discurso bastante visado: o da vocação para ser professora. E é dentro deste cenário que a pesquisa se desenvolveu, buscando através dos relatos das educadoras perceber quais os aspectos relevantes que estavam imbricados nos seus cotidianos e como elas lidavam e burlavam estas dificuldades para conseguir serem mães, mestras e esposas.


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