Desafios e gratificações do Ensino de Jovens e Adultos na Formação de educadoras feirenses de 1990 à 2000

Beatriz Santos da Silva

Resumo


A história educacional brasileira, desde seu início baseou-se em uma forma de controle, dominação social, e em uma sucessão de reformas constantes. É possível avaliar esse tipo de utilização como política de domínio, principalmente através das fases coloniais: domínio jesuítico 1549-1759 (religião e educação), reformas pombalinas (1758) e período joanino, a partir de 1808, com a chegada da Família Real e Corte Portuguesa para o Brasil. Ao longo do tempo de formalização desse ensino, no que se referia ao ensino básico e principalmente ensino superior, esses recursos eram privilégios das elites, pois, existiam poucas políticas, ainda incompletas, e praticamente nenhum interesse público que abarcasse segmentos da população que não possuía condições financeiras ou tempo para os estudos. É claro que escravos, mulheres livres e sujeitos das camadas subalternas estavam alijados do processo.
É possível identificar a problemática das minorias, que são também parte dessa exclusão. Neste momento, entra a figura das mulheres como educadoras, sujeitos do nosso tema principal de pesquisa, e todas as lidas diárias que dialogam juntamente com sua formação profissional. E como Simone de Beauvoir, diz: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, é possível problematizar o espaço social dado a ela desde os primórdios da história humana, como por exemplo, Eva, dita a primeira mulher da humanidade, segundo a Bíblia. Quando citamos essa frase não estamos falando de um fator biológico, e sim de toda uma necessidade constante de reafirmação social do ser mulher, se ela quiser lutar por um espaço que lhe é geralmente negado. E, então, a educação da mulher chega não somente como uma profissão, mas também como uma manifestação de luta por espaços públicos, antes só admitidos aos indivíduos do sexo masculino. Nesse sentido, reconhecemos que esse avanço compôs um arcabouço necessário à construção intelectual e conscientização de muitas mulheres, que passaram a brigar pela conquista de novos direitos.
Em uma perspectiva pessoal, coloco em diálogo com essas educadoras, o EJA (Ensino de Jovens e Adultos) que é um programa que atende aqueles que por algum motivo não concluíram seus estudos na faixa etária prevista por lei.
O Programa EJA representa, portanto,
[...] Um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento sócio econômico e científico, além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e a cultura de paz baseada na justiça. (UNESCO, 1997: Hamburgo, Alemanha, sobre o EJA).
Os percalços aqui apresentados, também se encontram no ensino regular, porém, tendo um conhecimento da dinâmica desse ambiente, através de uma participante desse projeto, fui inquietada a partir de uma curiosidade sobre como se dão essas relações professor/aluno (a), e no campo mais específico, educadora/aluno (a), e quais as trocas de experiências, que podem contribuir principalmente para a formação da própria educadora.


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