RESISTÊNCIA DE GRÃOS DE MILHO (Zeamays L.) AO FLUXO DE AR

Caroline Nascimento da Silva

Resumo


No armazenamento eficiente de grãos agrícolas a granel, é mandatório o controle de aeração após a operação de secagem. Com vistas à longevidade do armazenamento e manutenção da qualidade dos grãos, a aeração pós secagem reduz a atividade biológica da biota nativa e evita a deterioração do produto estocado. Durante essa operação, um fluxo de ar forçado permeia a massa de grãos e escoa em canais intergranulares, o que causa resistência ao fluxo concomitantemente à perda de carga, também conhecida como perda de pressão ou pressão estática a ser vencida. Tal resistência ao fluxo de ar em leitos fluidizados depende de diversos fatores, tais como: velocidade superficial, profundidade do leito de grãos, presença de impurezas no produto, tamanho, forma, umidade, porosidade e rugosidade do produto. O preenchimento da coluna de grãos pode seguir uma metodologia interferente na sua compactação, direção do fluxo de ar e resistência do produto à passagem de um fluxo de ar. Na construção dos sistemas, as chapas perfuradas, os dutos perfurados e as tubulações, são responsáveis por um aumento da queda de pressão (CALDERWOOD, 1973; HAQUE et al., 1978; JAYAS, 1987; BROOKER et al., 1992). Nos cálculos da resistência causada pela massa de grãos ao fluxo de ar, os principais parâmetros envolvidos são a porosidade e as massas especificas real e aparente, diretamente influenciadas pela presença de impurezas no produto e seu teor de umidade. Segundo Mohsenin (1978), a porosidade de uma massa granular pode ser definida como sendo a quantidade de espaços vazios ocupados pelo ar nos espaços intergranulares, podendo variar de 30 a 50%. Couto et al. (1999), estudando a porosidade de amostras com frutos de café (variedades catuaí e timor) contendo o produto verde e cereja, verificaram que a porosidade variou de 38,8 a 53,0%, valores estes que se encontram na mesma faixa da maioria dos grãos agrícolas. Chandasekar&Viswanathan (1999), estudando propriedades físicas de café descascado das espécies arábica e robusta, concluíram que os valores de porosidade diminuíram com o aumento do teor de água na faixa de 9,9 a 30,6% b.u. Hall et al. (1972) investigaram, durante a secagem, o efeito da redução do teor de umidade de grãos de milho nos valores da massa específica real e porosidade.
Dado o exposto e tendo em vista o potencial produtivo de cultivares agrícolas, tanto em âmbito nacional como estadual, torna-se valioso identificar propriedades fluidodinâmicas de grãos de milho com vistas ao melhoramento da qualidade deste cultivar durante a secagem e o armazenamento, já que, a depender da região em que o cultivo acontece, as características de armazenamento e secagem devem se adequar às sazonalidades climáticas típicas de cada região.
Neste âmbito, percebe-se escassez de estudos com ênfase neste setor, quando direcionado a uma tipificação regional. Desse modo, os mecanismos adotados para as operações com grãos de milho em uma dada região podem estar sendo utilizados com base em dados gerados para
o mesmo produto, mas cultivado em outra região. Isso pode impactar em gastos energéticos, o
que onera o custo de produção e inflaciona o preço destinado ao consumidor final


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