Estudo Espectroscópico da Galáxia Isolada IC2007

Vitor de Oliveira Silva

Resumo


Uma galáxia pode ser definida como um grande sistema onde a força da gravidade
desempenha o papel fundamental dentre as demais forças fundamentais da natureza. Sua
composição pode ser descrita pela presença de estrelas, remanescentes de estrelas, um meio
interestelar de gás, poeira e raios cósmicos, e ainda de matéria escura, que parece
corresponder com cerca de 90% da massa da maioria das galáxias. Exemplos de galáxias
variam desde as anãs, com até 10 milhões (107) de estrelas (ex.: a galáxia elíptica anã de
Sargitário, uma satélite da Via Láctea), até gigantes com cem trilhões (1014) de estrelas
(como a elíptica gigante Messier 87). Dados observacionais de alta resolução sugerem que
podem existir buracos negros supermassivos no centro de muitas delas. Desse modo, acreditase,
com base na evidências desses resultados observacionais, que os buracos negros sejam o
impulsionador principal dos AGN (“Active Galactic Nuclei” ou “Núcleo Galáctico Ativo”),
i.e., uma região compacta no centro de algumas galáxias que tem uma luminosidade muito
maior do que a comum. A Via Láctea parece possuir pelo menos um desses objetos.
As galáxias foram historicamente classificadas segundo sua forma aparente,
usualmente referida como sua morfologia visual. Excetuando os fatores que interferem na
observação de solo (sobretudo atmosféricos), as galáxias possuem características bem
diferentes quando comparados em termos de suas composições estelares, taxas de formação
estelar, composições químicas, gás, poeira, etc (Kenicutt 1998). As galáxias atualmente
conhecidas, cujas constituições são, por exemplo, semelhantes as da Via Láctea (um
morfologia espiral barrada com bojo, disco estelar e gasoso, halo estelar e de matéria escura),
apresentam aspectos diversos resultantes não apenas da distribuição das estrelas que as
compõem, mas também dos processos dinâmicos intrínsecos das mesmas.
De acordo com as observações no visível, as galáxias podem ser alocadas em uma
sequência morfológica bem definida que, de forma simplificada, são agrupadas em três
categorias, conforme definido por Hubble (1926) e atualizado posteriormente: elípticas,
lenticulares, espirais e irregulares (ver Figura 1). O processo de interação gravitacional
envolvendo galáxias no universo local representa, atualmente, um fenômeno bastante comum.
Os diversos tipos morfológicos observados (incluindo nestes as galáxias peculiares) podem
ter sua origem, parcial ou total, associado ao fenômeno de interação, e não na evolução
dinâmica do objeto em um estado físico isolado. Esta propriedade perturbativa e os resultados
obtidos sugerem fortemente uma revisão do nosso ponto de vista sobre a classificação e a
evolução destes objetos. De forma simplificada, a interação gravitacional entre galáxias pode
se dividida em três classes: (i) colisão (“collision”), onde uma galáxia atravessa a outra
caracterizando uma seção eficaz de impacto, (ii) fusão (“merging”), onde os objetos
envolvidos combinam-se em um único e, (iii) efeito de maré (“tidal interaction”), onde uma
galáxia passa próxima de uma companheira.
Neste trabalho, iremos estudar a galáxia espiral IC 2007, considerada como um objeto
isolado segundo os critérios descritos anteriormente. Uma hipótese para essa característica
pode está associada ao processo de fusão (de 2 ou mais objetos), onde as técnicas de
fotometria e de espectroscopia podem fornecer importantes pistas sobre a natureza destes
objetos.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2488

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